Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/11/2021

No livro “1984”, de George Orwell, em um determinado momento do dia a população se volta a uma tela onde pode transferir ofensas proibidas ao rosto de algum inimigo nacional, este fenômeno é conhecido como “Dois Minutos de Ódio”. Fora da ficção, no Brasil acontece a cultura do cancelamento, situação em que as pessoas praticam cyberbullying e desferem ódio gratuito, por horas e dias, não só alguns minutos. Em primeiro plano, vale ressaltar que o microblog “Twitter”, criado por Jack Dorsey, ajudou a expor casos de abuso e exploração sexual através da cultura do cancelamento, como por exemplo o movimento Me Too. Todavia, o que era para ser a solução de uma adversidade tornou-se um infortúnio. Os internautas iniciaram a perseguição coletiva a famosos que possuíam uma opinião distinta a deles, atitude que vai contra a liberdade de expressão, direito garantido pelo art. 5º, IV da Constituição federal. Outrossim, o compartilhamento e a exposição sem averiguação dos fatos podem prejudicar a vida social e saúde mental das vítimas do cancelamento. Ao invés de contribuir para sua formação civil, deteriora sua moral e dignidade, levando-as a uma separação do coletivo. Tal aspecto vai contra o viés do escritor Gustave Flaubert, que diz que a vida deve ser uma educação constante. Fica claro, portanto, a necessidade da tomada de medidas para resolver o impasse. O Congresso Nacional deverá formular leis que limitem o assédio moral realizado por usuários das redes sociais, por meio de direito e punições aos que descumprirem, a fim de acabar com essa imposição midiática. Dessa forma, é de se esperar a mudança na forma de desfrutar da tecnologia e que a realidade retratada por Orwell fique apenas na ficção.