Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/11/2021

Em uma reportagem da BBC News Brasil, a aluna Denise relatou que só conseguia acessar as aulas remotas um dia da semana porque o aparelho celular da mãe é o único mecanismo que ela possui para assisti-las, além disso, os responsáveis pela menina não têm condições financeiras para prover aparelhos tecnológicos. Nesse sentido, o caso da menina se repete em vários pontos do Brasil, uma vez que a pandemia evidenciou a falta de estrutura nos domicílios e na distribuição de internet. Ademais, diante dos problemas, muitos jovens de classes sociais mais baixas abandonaram as salas de aula devido a perda parcial da renda familiar.

Nesse contexto, todas as instituições de ensino foram obrigadas a fechar na pandemia para evitar a propagação do vírus, logo, foi adotado o ensino remoto a fim de não defasar o aprendizado das crianças e adolescentes. Por um lado, os professores, principalmente da rede pública, não tiveram o amparo ora na adaptação à tecnologia, ora no material necessário para ministrar as aulas, como computadores de boa qualidade. Por outro ângulo, os alunos que moram em locais mais pobres, como as favelas, não conseguem acessar as aulas por conta da ausência de infraestrutura na distribuição de internet e torres transmissoras de dados móveis, além de que muitas famílias não tem condições financeiras para bancar meios tecnológicos.

Por consequência da crise econômica causada pela pandemia, a renda das famílias brasileiras diminui em razão das demissões, paralisações nas atividades e crescente inflação. Dessa forma, muitos jovens abandonaram os estudos com o propósito de trabalhar para complementar a renda familiar. Entretanto, a evasão escolar acentua as desigualdades, visto que trabalhadores sem o ensino médio ou graduação ocupam cargos menos remunerados e possuem baixas perspectivas no mercado de trabalho.

Em conclusão, a aprendizagem das crianças e adolescentes, especialmente oriundas das escolas públicas, apresentou retrocesso frente às dificuldades. Assim, os governos estaduais em parceria com empresas privadas de oferecimento de internet e dados móveis precisam posicionar antenas de distribuição para que todas as regiões tenham conectividade e ofertar planos com preços acessíveis para as camadas mais pobres. E também, carece o Ministério da Educação, governos estaduais e prefeituras disponibilizem aparelhos tecnológicos de alta qualidade e materiais didáticos necessários para que os alunos consigam fazer o acompanhamento das aulas virtuais.