Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 20/11/2021
A produção nacional “Pro Dia Nascer Feliz” mostra a realidade de diferentes instituições ao redor do Brasil, comparando suas condições socioeconômicas distintas. Para além da ficção, é notável, na atualidade brasileira, os impactos que essas diferenças estruturais tiveram na educação durante o período pandêmico, sobretudo no que tange às condições dos estudantes das escolas públicas do país. Sob esse prisma, verifica-se a existência de um delicado problema, motivado pelas disparidades sociais, atrelado à falta de amparo governamental.
Nessa perspectiva, é lícito salientar que o cenário de desigualdades existentes na população brasileira, em que muitas famílias possuem uma baixa renda, é um obstáculo para o problema. Esse quadro é visto no livro “Quarto de Despejo”, no qual a autora Carolina Maria de Jesus relata suas difíceis vivências como uma mulher que mora em uma favela de São Paulo, vivendo em condições de miséria. Analogamente à situação vista na obra, nota-se uma infeliz conjuntura no Brasil, na qual muitos estudantes vivem em condições precárias tais como a autora, sem ter acesso à recursos como a ‘internet’ e aparelhos essenciais para a modalidade à distância usada durante a pandemia. Sendo assim, carece um amparo para esses estudantes terem os requesitos para estudarem.
Em paralelo, vale ressaltar que o déficit de ações governamentais é outro entrave presente na problemática. Em meio a isso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Karl Marx, que considera o Estado passivo frente às demandas sociais. Seguindo o raciocínio do pensador, nota-se a carência de intervenções por parte do aparato estatal mediante o contexto de dificuldades para diversos estudantes brasileiros estudarem durante a pandemia, haja vista que 4,1 milhões de alunos da rede pública não possuem ‘internet’ em suas casas, segundo estudo do IBGE. Portanto, faz-se urgente a realização de ações que possibilitem que tais cidadãos estudem plenamente.
Infere-se, assim, a tácita necessidade de providências que amenizem o impacto da pandemia na educação do Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, juntamente às prefeituras locais, investirem na democratização do acesso às tecnologias aos estudantes das instituições públicas que necessitam. Para isso, o governo deve apurar a quantidade de alunos que tiveram dificuldades em assistir às aulas remotas, e, por meio da distribuição de aparelhos tecnológicos e roteadores de rede para as escolas, entregá-los para os alunos que os carecem. Dessa forma, cidadãos que antes não tinham alcance às aulas na modalidade remota, poderão assistir às mesmas, e o Estado não será passivo frente aos problemas sociais como afirma Marx.