Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/12/2021

No romance filosófico “Emilio, ou Da Educação”, o contratualista Rousseau demonstra a melhor forma de se educar um indivíduo que fará parte do contrato social, instituindo a educação como fundamento para um bom desenvolvimento. Entretanto, o atual contexto educacional mostra-se afetado com os impactos negativos da pandemia do Corona Vírus, de forma que o distanciamento social e a modalidade de aulas remotas dificultaram o acesso a educação de classes mais baixas e ocasionaram em maior tendencia à evasão escolar, algo extremamente declinante para o desenvolvimento social de muitos jovens.

Em primeira análise, verifica-se que o método de aula remota é excludente pois muitos alunos de classes sociais baixas não conseguem ter acesso a computadores e a rede de internet, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, criando, assim, um empecilho ao aprendizado deste aluno e um fator relevante para o abandono do ensino. Há também outro agravante social, pois vê-se que a interação com outros alunos é favorável ao desenvolvimento psicossocial dos indivíduos, mas infelizmente, a falta de oportunidades extingue as chances de aprendizados dos jovens mais necessitados, produzindo um abismo de desigualdade ainda maior.

Em segunda análise, observa-se que a evasão escolar é um problema que assola o desenvolvimento educacional do país, visto que anualmente diversas crianças e adolescentes deixam a escola para fazer atividades fora do núcleo acadêmico, fato que vem aumentando com a pandemia do Coronavírus, segundo dados do IBGE. Paralela a essa realidade, vê-se que, conforme as noções do Conselho Nacional de Justiça, 70% da população encarcerada no Brasil não concluiu o ensino fundamental, algo que demonstra uma falha educacional geradora de outros problemas sociais, que precisa urgentemente ser tratada.

Diante os fatos expostos, evidencia-se que, para haver mobilização acerca dos impactos da pandemia na educação brasileira, faz-se necessária a intervenção do Ministério da Educação. A esse órgão caberá a elaboração de um plano nacional de educação emergencial,e ampliação do Plano de Ações Articuladas (PAR) com verba advinda do Governo Federal. Tais medidas, se valerão de projetos interdisciplinares que trarão ações para ampliação e melhoria do acesso ao conhecimento no meio remoto, para que além da diminuição das dificuldades de aprendizagem, seja evitada a evasão escolar e implementado um ambiente propicio para a inclusão digital de todos, formando jovens com fundadas habilidades de compreensão e reflexão. Assim, bem como no romance de Rousseau, o corpo social terá a educação como pilar de desenvolvimento.