Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/12/2021

O filme “Que horas ela volta?” retrata a história de Val, uma mulher nordestina que vem a São Paulo em busca de melhores condições para a sua filha. Anos depois, a filha vem a encontro da mãe para tentar conquistar seu ingresso no ensino superior. Fora da produção, contudo, os impactos da desigualdade social na educação permanecem e, com a pandemia do coronavírus, acabam por ser fortalecidos, gerando segregação tecnológica, consoante aos danos à saúde dos estudantes mais pobres. Em primeira análise, percebe-se que o distanciamento deixou sequelas mais graves nos brasileiros de baixa renda. Segundo o sociólogo inglês William Outhwaite, altos níveis de desigualdade reduzem não somente as oportunidades, mas também os incentivos a educação das famílias mais carentes. Com o ensino à distância, a falta de equipamento adequado para os estudos foi desestimulante a grande parte dos alunos da rede pública, colocando-os à margem dos conhecimentos tecnológicos, amplamente desfrutados por estudantes de escolas privadas. Em segundo plano, é possível observar que a pandemia foi capaz de comprometer a saúde dos alunos, ainda que servisse de medida de saúde. Como dito pelo crítico de cinema Gary Giddins, um dos meios mais importantes para a socialização é a escola. Sem esse contato com a instituição de ensino, os estudantes têm sua saúde mental comprometida, visto que a socialização é fundamental para o bem-estar do ser humano. Além disso, há também a questão nutricional, uma vez que as crianças e jovens mais pobres tinham na merenda escolar um estado, ainda que breve, de segurança alimentar. Por fim, para combater as disparidades no acesso à educação e suas consequências, é preciso adotar uma estratégia de distribuição de recursos. Para isso, é preciso que o Governo Federal trabalhe em conjuntos com os Estados brasileiros na elaboração de plataformas digitais de estudos – semelhante ao Centro de Mídias, já implantado em São Paulo -, adaptadas a celulares de modelos mais antigos, e mantenham as escolas abertas para a distribuição de chips com acesso à internet e refeição para os mais necessitados. Assim sendo, os alunos poderão assistir às aulas de maneira remota enquanto colaboram com a não disseminação da coronavírus.