Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 13/12/2021
Em certa edição do programa “ provocações” Antônio Abujamra entrevista Valdemar Setzer, professor de ciências da computação na USP. O provocante dialogo se dá por conta de Setzer ser um completo antitelas, contraventor ferrenho das televisões a ponto de criar a própria filha privando-a até a idade adulta de acessar o objeto. O debate quanto a televisão é antigo, Marshall McLuhan defendia que esse meio substituiria até mesmo os livros, que não se abalaram, pois quando chegou o rádio foi a mesma história.
Uma brecha no debate sobre telas, brecha essa que não poderia ser prevista, é a seguinte: “Ser enclausurado pelas telas por razões externas, como a pandemia do covid 19. Na obrigatoriedade de fazer o mundo funcionar virtualmente.” A rede passou em seu teste de fogo. Já é possível simular a realidade por completo dentro de um smartphone, ir a bancos, lojas, restaurante; e principalmente escolas. É possível transmitir conhecimento via rede e isso é indiscutível. Todavia tem certas coisas que a rede não consegue fornecer, como experiências de vida, a vivencia escolar; aquela conversa em um dia qualquer com o professor no fim de uma aula que pode mudar sua vida, porque conversas mudam vidas. Toda a parte empírica da escola não pode ser descartada, a educação vai além de aprender conteúdos, a escola forma cidadãos. Além de que a estrutura escolar é um importante mecanismo de controle no sentido de estar a associada a politicas de alimentação, garantindo que jovens e crianças não passem fome, garantindo também a segurança dessas pessoas, possibilitando uma rede de apoio para resguardar os direitos fornecidos pelo ECA. A verdade é que nem um extremo nem outro nesse debate.
Novas tecnologias são aliadas no aprendizado, o ensino a distância pode favorecer comunidades afastadas de escolas, com dificuldades de locomoção, a reforçar conteúdos passados em sala mas que o aluno possui dificuldade. São muitas as possibilidades, mas tem coisas que são insubstituíveis assim como os livros, a presença é importante na vida escolar. A pandemia reforçou principalmente isso no cotidiano do EAD.
O mundo já não é mais o mesmo, não há retorno ao normal, é o inicio de uma nova realidade, visto que há novos saberes que não podem ser ignorados. Logo, o governo deve fazer uma base sólida de politicas públicas de acesso a tecnologia e incrementa-la no dia dia educacional brasileiro, com o intuito de agregar, ser mais uma ferramenta na mão do educador, não um limitador. É preciso criar provedores de internet estatais, como era a Telebras antes de sua privatização e aliado ao fornecimento de aparelhos a estudantes carentes, fornecendo de fato recursos e meios para o aprendizado.