Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 13/12/2021
O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia de direitos fundamentais de um povo. No entanto ao observar os impactos da pandemia na educação, em especial aos mais pobres, constata-se que esse direito não tem sido assegurado. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, torna-se evidente a influência do fator socioeconômico. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Emile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa a necessidade de que em muitos lares os estudantes trabalhem para compor a renda familiar, sendo esse um dos principais motivos para a evasão escolar, e que se intensificou durante a pandemia. Destarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.
Ademais, é cabível pontuar que a eficácia das leis corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filosofo gregos Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica a conjuntiva vigente constata o ideal aristotélico, posto que as leis não estimulam a educação da forma necessária, dificultando o acesso de milhões de brasileiros à uma formação de qualidade e voltada para suas necessidades, além disso elas também não garantem fomentos suficientes para que os discentes vençam as vulnerabilidades e consigam concluir seus estudos. Assim medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a fito de atenuar o revés.
Interfere-se, portanto que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, o Ministério da Educação, por intermédio de mídias de grande audiência e fácil acesso, como a TV, deve discutir o assunto com pedagogos e outros profissionais da educação, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentando visão crítica e orientando o público a respeito do impasse. Em adição, o Congresso Nacional deve formular artigos jurídicos para estimular a inserção educacional e a permanência, através de auxílios financeiros e estímulos culturais. Feitos esses pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.