Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/12/2021

A escola não é apenas um local de aprendizagem teórica, mas também onde se aprende a conviver em grupo e desenvolve-se capacidades de socialização. Caso um jovem não participe de alguma etapa do ensino básico, é notório a defasagem social sofrida entre ele e alguém que frequentou a escola integralmente. Entretanto, no contexto de pandemia mais da metade dos estudantes brasileiros perderam dois anos de interação com pessoas da sua idade e passaram a maior parte do seu tempo de estudos em seus quartos sozinhos(caso dispusessem do privilégio de ter um ambiente de estudos).

Para o desenvolvimento completo de uma criança é necessário que ela tenha convivência com o mundo externo à sua casa e uma educação de qualidade no seu ensino básico. Porém os dois pilares foram afetados em ambundância durante o período pandêmico. Sem poder sair de casa, muitos estudantes perderam certas ferramentas de convivência em grupo que estavam sendo desenvolvidos no ambiente escolar. Outros sequer dispunham de acesso à educação por não ter internet disponível ou ter apenas um aparelho celular em casa. De todo modo, a educação sofreu com grandes desafios durante os ultimos anos, principalmente o ensino público. Enquanto em escolas privadas os alunos tiveram aulas online, gupos de estudos e atividades remotas com seus educadores para compensar a perda do ensino presencial, em escolas mantidas pelo Governo os alunos não tinham a mesma oportunidade: recebiam atividades com pouca ou nenhuma oientação e seus professores comunais.

O grau de desigualade entre alunos de escolas publicas e privadas é ainda mais gritante ao se notar que apenas 42% da classe D e E têm acesso a internet, impossibilitando o uso o sistema de ensino a distância para o restante dos estudantes mais vulneráveis à falta de internet. Tal situação gera um abismo social entre, por exemplo, vestibulandos. Um aluno que teve total acesso ao ensino online com apoio de seus professores tem maior probabilidade de conseguir uma vaga em uma universidade se em comparação a um estudante que mal teve acesso às atividades que sua escola o enviou.

Tendo em vista todos esses problemas, é preciso que o Ministério da Comunicação se junte ao Ministério da Educação para que haja maior integração dos alunos de baixa renda no ensino remoto, disponibilizando tablets e pontos de Wi-Fi nas comunidades e locais afastados dos centros urbanos. Também é necessário de garantir a existência de meios de socialização online, como gincanas, festas temáticas e eventos de integração dos alunos, para assim evitar a queda nas habilidades de convivência e comunicação dos estudantes. Com essas medidas será possível garantir que os jovens, o futuro do país, tenham uma aprendizagem íntegra e bem aproveitada.