Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 13/12/2021
A sociedade brasileira foi, ao longo de sua história, construída de maneira a criar uma desigualdade estrutural entre grupos sociais, e o acesso a educação concebido apenas a determinadas classes foi uma das maneiras pela qual essas diferenças foram mantidas, sendo de certa forma, vigente até hoje. No Brasil, a pandemia de covid-19 demonstrou a fragilidade dos grupos menos favorecidos e acentuou as diferenças opressodas entre as camadas sociais. A educação por sua vez, foi novamente afetada, com o isolamento social e o fechamento das escolas para aulas presenciais, desmascarando a face desigual do sistema educacional brasileiro.
A forma de aprender e ensinar implantada com a necessidade de isolamento pela pandemia afetou estudantes de todo o mundo. Porém, o acesso ao ensino remoto que depende de fatores essenciais, como acesso a internet, desenvolvimento de plataformas digitais pelas redes de ensino e a capacitação de professores, se apresentou às classes socais de formas distintas. Enquanto escolas particulares se adaptaram com certa facilidade, escolas da rede pública muitas vezes não tiveram estruturas eficazes para tal. Além disso, de acordo com estudos do Ipea, menos de 50% da população mais pobre têm acesso a internet para frequentar as aula.
Dessa forma, o conceito de “novo normal” utilizado por ciêntistas sociais e psicologos para descrever o funcionamento da sociedade durante e depois do Covid, não se apresenta de maneira uniforme às diversas classes sociais. Ao invés disso, os tempos de pandemia mantém o que há de mais antigo e retrogrado na sociedade brasileira: a desigualdade e a falta de acesso a educação às classes mais necessitadas.
Logo, para a melhora da educação brasileira, deve haver uma mudança da forma como tal é encarada por governantes e pelos próprios cidadãos. Os responsaveis pela educação como o MEC deve implantar politicas públicas para a democratização do ensino de qualidade no Brasil. Assim os impactos positivos da pandemia, como a flexibilização da forma de aprender, podem ser mantidos e os impactos negativos, podem ficar no passado.