Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 29/04/2022

De acordo com o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Atualmente, ao passo que a sociedade se reinventa tecnológicamente, o déficit do ensino se agrava -processo fortemente acelerado com a pandemia do coronavírus-, expondo um ciclo de desigualdade que definirá o indivíduo, como Kant elabora, pela qualidade da educação que esse teve acesso. Pode-se dizer, então, que a quarentena foi um catalizador social dos impactos tanto do ensino elitista quanto da desigualdade estrutural e cíclica.

Em primeiro lugar, é essencial estabelecer a relação entre o aprendizado elitizado e as sequelas educacionais brasileira. O resultado dos diversos cortes e desvios na verba da educação é a grave condição qualitativa das escolas públicas, tornando (aos que podem) praticamente meio único os colégios particulares. Assim, constitui uma imediata separação dos espaços entre aqueles que podem ou não custear acessam e, a longo prazo, os papeis sociais que ocuparão. Tal cenário foi escancarado pela pandemia pois, de acordo com o IBGE, 55% dos alunos de rede pública sequer tinham acesso à internet, comprovando a necessidade de uma reforma sistemática.

Em segundo lugar, a desigualdade estrutural é também um dos autores do cenário vigente. Posto que o preconceito e opressão -como racismo, machismo, homofobia, etc.- são combatidos pelo processo educacional de conscientização e desconstrução, e esse por sua vez se encontra em lastimável circunstância, manifesta um retardo no progresso social ao embate a essas graves situações de opressão, isto é uma piora na qualidade de vida dessas minorias. Constatação também expressa pela pandemia, como aponta o IBGE, que a população negra foi a mais prejudicada durante a Covid-19 no mercado de trabalho, educação e saúde.

Infere-se, portanto, que os impactos pandêmicos são fruto de desafios preexistentes na sociedade. À vista disso, para que nenhum constituinte seja injuriado, urge que o Governo Federal, em união ao Ministério da Educação, atuem em prol da população por meio de uma reforma educacional, adicionando novas tecnologias, suporte indivudual e métodos de educação alternativos -como aplicativos que propõem um ensino dinâmico- a fim de nivelar o meio educacional.