Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 16/05/2022

De acordo com o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Atualmente, ao passo que a sociedade se reinventa tecnologicamente, o déficit do ensino se agrava - processo fortemente acelerado pela pandemia do coronavírus-, expondo um ciclo de desigualdade que definirá o indivíduo, como Kant elabora, pela qualidade da educação que esse teve acesso. Pode-se dizer, então, que a quarentena foi um catalisador social dos impactos tanto do ensino elitista quanto da desigualdade estrutural e cíclica.

Em primeiro lugar, é essencial estabelecer a relação entre o aprendizado elitizado e as sequelas educacionais brasileiras. O resultado dos diversos cortes e desvios na verba da educação é a grave condição qualitativa das escolas públicas, tornando (aos que podem) praticamente meio único os colégios particulares. Assim, constitui uma imediata separação entre aqueles que podem ou não custear acessam e, a longo prazo, os papéis sociais que ocuparão. Tal cenário foi escancarado pela pandemia pois, de acordo com o IBGE, 55% dos alunos da rede pública sequer tinham acesso à internet, comprovando a necessidade de uma reforma sistemática.

Em segundo lugar, a desigualdade estrutural é também um dos autores do cenário vigente. Posto que o preconceito e opressão -como racismo, machismo, homofobia, etc.- são combatidos pelo processo educacional de conscientização e desconstrução, e esse por sua vez se encontra em lastimável circunstância, manifesta um retardo no progresso social ao embate a essas graves situações de opressão, isto é, uma piora na qualidade de vida dessas minorias. Constatação também exposta pela pandemia, como aponta o IBGE, que a população negra foi a mais prejudicada durante a Covid-19 no mercado de trabalho, educação e saúde.

Infere-se, portanto, que os impactos pandêmicos são frutos de desafios preexistentes na sociedade. À vista disso, para que nenhum constituinte seja injuriado, urge que o governo federal, em união ao ministério da educação, atue em prol da população por meio de uma reforma educacional, adicionando novas tecnologias, suporte individual e métodos de educação alternativos -como aplicativos que propõem um ensino dinâmico- a fim de nivelar o meio educacional.