Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/10/2022
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhum ser vivo o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente à educação na pandemia é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da indiferença que persiste, intrinsecamente, ligada à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.
Nessa perspectiva, a ingerência governamental, estudada fortemente por Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido”, é uma ferramenta de opressão que limita a instrução social da comunidade brasileira. Deste modo, identifica-se que, como vivenciado por Brás Cubas em sua jornada, o Poder Estatal formou uma instituição escolar que não é apta para lidar com o ensino à distância, muito menos com as mudanças ocasionadas por um vírus mundial. Logo, é fundamental efetuar profundas modificações na base comum curricular.
Ademais, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, essa reflexão de Zigmunt Bauman defronta-se, indubitavelmente, com o autoritarismo examinado por Paulo Freire. Desta maneira, a análise da conjuntura precária, que cerce a educação na pandemia, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo e lucrativo, assim, torna-se margeado. Nesse sentido, é inegável como a manipulação midiática alicerça a manutenção da precariedade educacional, pois conclui-se que a pouca visibilidade direcionada para essa problemática perpetua o infortúnio observado pelo patrono da educação brasileira.
Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, efetuar uma mudança na grade curricular nacional, de modo a repor aulas perdidas no período pandêmico, incentivar excursões didáticas gratuitas e também, ministrar palestras informativas para as mais diversas camadas dos jovens. Além disso, é crucial ofertar aos professores condições de realização das aulas não dadas na pandemia, entregando bônus salarial para àqueles que realizarão aulas extras. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.