Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 03/11/2022
Raimundo Teixeira Mendes, em 1989, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional, mas também para a nação que, hoje, enfrenta diversos estorvos. Entre eles, os impactos negativos decorrentes do despreparo da área educacional frente à pandemia de convide 19 representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura gera a desordem e o retrocesso do desenvolvimento social. Percebe-se, assim, a necessidade de mudar esse panorama, calcado na passividade governamental e que tem por consequência uma ameaça à democracia.
De início, há de se notar a importância desse tema. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 57% da população possui acesso ao computador. Além disso, constatou-se que as escolas públicas foram as mais afetadas pelo ensino remoto. Depreende-se, então, que o cenário pandêmico corroborou a exclusão social, pautada na inércia estatal. A falta de políticas públicas eficientes, bem como a precarização das instituições educacionais gratuitas, evidencia, decerto, a ineficácia do governo acerca da solução da problemática.
Por conseguinte, a inoperância do poder público acarreta inúmeros problemas, como um atentado à Constituição. Milton Santos, a partir do seu conceito de cidadania mutilada, definiu que a democracia só é efetiva a medida em que atinge a totalidade do corpo social. Infere-se, desse modo, que a indisponibilidade de métodos os quais garantam igualitariamente o direito à educação previsto na Carta Magna retrata, de fato, uma ameaça democrática. Outrossim, tal conduta contribui com a perpetuação da desigualdade, tendo em vista que limita a evolução de uma parcela da sociedade, o que colabora com a marginalização desses indivíduos.
Portanto, medidas são fundamentais para combater o impasse. Com o intuito de atenuar o contraste social, cabe ao Estado, enquanto mantenedor da ordem, aplicar a verba destinada à educação na melhoria da estrutura das escolas públicas. Tal ação deverá ser feita por meio da implementação de aparatos tecnológicos nos colégios, os quais deverão suprir o carecimento dos estudantes. Só assim os brasileiros verão o progresso referido na bandeira como realidade.