Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/10/2023

Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas Hobbes, é retratada uma sociedade caracterizada pela ausência de problemas e conflitos, na qual todos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os impactos da pandemia causaram uma precarização na educação brasileira. Sob esse viés, a desigualdade social e o despreparo das instituições contribuíram para o problema.

Diante do contexto apresentado, os impactos da pandemia no sistema educacional, se deram com muito mais afinco nas camadas mais pobres da população. Sob tal premissa, o geógrafo Milton Santos acreditava que “o mundo é inteiro é globalizado, mas a globalização não chega a todo mundo”. Todavia, durante a quarentena as escolas utilizaram recursos e plataformas digitais para lecionarem as aulas. Entretanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 4,3 milhões de estudantes entraram na pandemia sem acesso à internet. Contudo, a falta de acesso à internet atinge 30% das residências, ou seja, uma em cada cinco pessoas vive sem nenhum tipo de conexão, sendo indispensável para o serviço de ensino remoto. Contudo, o estudo ainda aponta aumento de 72% no abandono das aulas, o que totaliza cerca de 244 mil crianças e jovens afastados do ambiente escolar na pandemia.

Ademais, os professores foram diretamente afetados, muitos possuíram dificuldades para lecionar e lidar com o ambiente virtual. Além disso, são poucos os que tiveram a formação adequada para lecionar a distância. Segundo o G1, 80% não tinha experiência anterior à pandemia para dar aulas remotas e 42% dos professores afirmam que seguiram sem treinamento, aprendendo tudo por conta própria. Para 21%, é difícil ou muito difícil lidar com tecnologias digitais.

Portanto, urge que o Poder Legislativo, por meio de políticas públicas, a criação do projeto “Internet Acessível”, no qual seja distribuído tablets com chip de internet ilimitada nas escolas, afim de democratizar o acesso à internet. Por fim, o Ministério da Educação deve criar o “Programa de Alfabetização Digital” para professores, por meio de palestras e atividades tecnológicas, com o objetivo de capacitar os professores a lidarem com o meio digital.