Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 17/04/2022

Na série estadunidense “Os Pinguins de Madagascar”, exibida na Nickelodeon, é retratado o cotidiano de quatro pinguins que buscam constantemente aventurar-se no exterior de sua clausura no Central Park. Esse desejo de evasão manifestado pelo grupo proporciona uma reflexão acerca dos zoológicos, os quais, embora teoricamente se destinem à preservação, frequentemente desrespeitam os animais. Nesse contexto, os principais impasses dessas instituições são a mercantilização de seres vivos, as debilidades estruturais e os maus-tratos.

A priori, convém salientar que tais ambientes fomentam a inserção de espécies no sistema mercadológico do capitalismo. Sob esse viés, é pertinente reportar ao conceito marxista de reificação, uma categoria de alienação em que os entes são destituídos de seu valor subjetivo, tornando-se mercadorias. Nesse aspecto, a exposição de espécimes ao público transforma-as em meras fontes de entretenimento, com vistas à geração de lucro. Dessa forma, há o esfacelamento da dignidade intrínseca à vida e oportunizam-se demais violações de direitos.

Outrossim, é imperioso ressaltar a precariedade da infraestrutura e as violências cometidas nos referidos espaços. Nessa conjuntura, cumpre destacar que o estresse advindo da limitação do hábitat, a agressividade dos cuidadores, as irregularidades na dieta e a assistência médica insuficiente figuram como substanciais constrangimentos padecidos pelo plantel. Nesse âmbito, segundo dados do Ibama, em 2016, 77 das 111 unidades zoológicas brasileiras foram consideradas inadequadas. Desse modo, o gerenciamento imprudente dessas organizações ameaça a integridade física e emocional dos organismos sob tutela.

É categórico, portanto, que tais cativeiros incitam a objetificação de espécies e amargam inconsistências administrativas. Urge, então, que o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio de profissionais do Ibama - autarquia encarregada da proteção da fauna nacional -, promova uma fiscalização mais austera dos zoológicos do país, com o fito de garantir a observância da legislação concernente ao manejo de animais silvestres. Ademais, é mister a difusão de campanhas virtuais que sensibilizem os cidadãos a denunciar casos de maus-tratos nessas instituições. Dessarte, poder-se-á aplacar esse flagelo em terras tupiniquins.