Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 21/04/2022

A Constituição Federal prevê que é dever do Estado promover a preservação da fauna e da flora brasileira, sendo vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade. No entanto, no cenário atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão dos animais em zoológicos. Isso se evidencia não apenas pela negligencia Estatal, mas também pelo desvio de sua função original nesses locais.

Diante de tal cenário, é fulcral pontuar que a indiligência do Estado potencializa o desrespeito aos animais. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Sob essa ótica, o IBAMA noticiou que a maioria desses centros funcionam em desacordo com a lei que os regulamentam. Sendo comum publicações de maus-tratos e aquisição ilegal de animais silvestres, como no Bio Parque no Rio de Janeiro. Desse modo, para completa refutação da teoria abordada e mudança da realidade, faz- se imprescindível uma intervenção estatal.

Ademais, a função primordial desses centros são a preservação, a reabilitação e a educação ambiental.Mas o que se observa na prática é o oposto disso.Esses locais têm-se uma infraestrutura inadequada, com animais em espaços muito reduzidos ao seu real habitat, veterinários insuficientes e uma espetacularização dos animais para fins lucrativos.Nesse sentido, a priorização de interesses financeiros supera a preocupação com o bem estar dos animais.Posto isto, de acordo com Karl Marx, a base de uma sociedade capitalista é o próprio capital. Por isso, os valores da sociedade estão sendo sobrepostos pela ótica capitalista.

Portanto, para que a Carta Magna não seja apenas teórica, mas se torne medida prática, é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, o Ministério do Meio Ambiente deve criar um Centro de Conservação de espécies em substituição aos zoológicos existentes, por meio do IBAMA e parcerias filantrópicas, como o Greenpeace, tendo profissionais de diversas áreas atuando e realizando divulgação midiática com o intuito de ressignificar esses novos centros. Espera-se, com isso, a superação desse problema, para que uma sociedade integrada seja alcançada.