Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 01/05/2022

A franquia “Madagascar” retrata as aventuras de animais que viviam felizes em um zoológico de Nova Iorque. Esses cativeiros representam, na realidade, uma forma de cerceamento da liberdade, uma vez que desrespeitam a vida de diversas formas. É imperativo, portanto, analisar o papel omisso do Estado diante desse assunto, bem como a compactuação da sociedade brasileira com essa forma de tortura.

Em primeiro plano, destaca-se a omissão estatal nesse conflito. Sabe-se que o IBAMA, braço governamental que fiscaliza e coordena irregularidades ambientais, deveria supervisionar os zoológicos para garantir o bem-estar das espécies. No entanto, verifica-se que isso não acontece de fato, haja vista que, em muitos des-ses lugares, os bichos vivem em condições precárias, com restrição de espaço e sob estresse constante. Acerca disso, o governo descumpre um dos imperativos da Carta Magna, o qual prevê que o Poder Público deve proteger a fauna brasi-leira, implementando políticas de proteção ambiental. Logo, verifica-se que tal descaso é um dos responsáveis pelo sofrimento infligido aos animais.

Ademais, salienta-se a participação do corpo social nessa barbárie. A visitação a parques expositivos é uma das atividades de lazer dos brasileiros. Porém, não há uma cultura de reflexão a respeito dos métodos utilizados para manter os bichos em vitrines. Ignora-se as condições de confinamento em nome da satisfação pes-soal. A respeito disso, o filósofo Arthur Schopenhauer afirmou que a bondade para com os animais está intimamente ligada a bondade de caráter. Com isso, a compactuação com esse método de cativeiro revela o adoecimento das condutas so-ciais no Brasil.

Então, para romper com esse paradigma é preciso que o Ministério do Meio Am-biente monte uma força-tarefa, por meio de uma articulação com o IBAMA - órgão responsável por fiscalizar irregularidades em zoológicos -, a fim de combater torturas, como a falta de espaço. Outrossim, as mesmas instituições devem inves-tir recursos públicos em criadouros conservacionistas para que, assim, a socie-dade perceba a necessidade de proteger a fauna brasileira. Assim, permitir-se-á que os animais sejam tão felizes quanto aqueles retratados em “Madagascar.”