Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 04/05/2022

No livro “Sapiens”, o escritor Yuval Harari relata que durante a maior parte da história da humanidade os humanos estavam inseridos na cadeia alimentar como qualquer outra espécie, predando e sendo predados, entretanto tudo mudou após a Revolução Cognitiva, transferindo os macacos pelados ao topo da pirâmide. Passados milhares de anos, o medo se transformou em fascínio, e seja por sentimento de curiosidade ou superioridade, os animais parmanecem próximos, todavia enclausurados.

Em primeira análise, uma parcela significativa dos zoológicos desempenham papel fundamental na conservação das espécies, abrigando indivíduos fragilizados e incapazes de retornar aos seus habitats. Paralelamente, são lar de centros de reprodução de animais ameaçados de extinção ou extintos no meio ambiente, como o caso do rinoceronte branco.

Em segunda análise, apesar de impactantes na preservação da fauna, é preciso considerar também que muitos zoológicos não fornecem as condições adequadas para o bem-estar das espécies, priorizando o lucro ao invés da sanidade física e mental dos indivíduos. Segundo a “escala naturae”, do filósofo grego Aristóteles, o homem consta acima dos animais na hierarquia, por isso seria justificável suas submissões perante aos humanos, conceito abandonado há muitos anos mas que parece ainda permanecer enraizado na sociedade contemporânea.

Fica evidente, portanto, que com a finalidade de fornecer um mundo mais justo e com menos sofrimento à todas as espécies, urge aos órgãos fiscalizadores, sobretudo ao IBAMA, que policie rigorosamente os zoológicos de todos país, aplicando multas aos que não apresentarem condições adequadas para o bem-estar. Ademais, é preciso a criação de medidas que impeçam a captura de animais selvagens, só assim será possível atingir um Brasil livre de pirâmides e hierarquias que oprimam outros seres vivos.