Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?
Enviada em 27/05/2022
O filósofo Arthur Shopenhauer disse certa vez ‘‘O homem fez da terra o inferno dos animais’’ ao refletir sobre a exploração que lhes é acometida por conveniência do lazer humano. A crítica do alemão continua sendo válida quando se observa o modo precário de vida animal presente em tantos zoológicos, mesmo que muitas instituições tenham como objetivo a proteção de espécimes em perigo. Diante disso, faz-se pertinente o debate acerca do caráter ambivalente de tais entidades.
Primeiramente, vale ressaltar que o trabalho de preservação e reabilitação feito pelos zoos é de extrema relevância para a conservação do meio-ambiente. Acerca disso, a animação Madasgascar retrata tal realidade de maneira significativa uma vez que tem como personagem principal, o carismático Alex, um sobrevivente de contrabando resgatado pelo Zoológico do Central Park. Por esse perspectiva, tais entidades têm um papel fundamental na proteção de animais em situações de risco ao mesmo tempo que têm a capacidade de transmitir ao público pagante a importância dos valores ecológicos contemporâneos.
Vale ressaltar, todavia, que a expetacularização desses ambientes propicia o desrespeito aos direitos da animália. De acordo com a Declaração Universal dos Animais, nenhuma criatura deve ser utilizada para o divertimento do homem, já que sua objetificação implica na violação de sua dignidade. Desse modo, a exposição de animais encarcerados, quando submetida à mando do lucro e do entreterimento, corrompe a natureza educativa do zoo ao naturalizar a coisificação do animal em seu habitat artificial.
Em virtude dos fatos mencionados, pode-se afirmar que o zoológicos necessitam de ajustes para que sua natureza educacional transpareça ao corpo social. Dessa maneira, cabe ao Minitério do Meio Ambiente, responsável pelo bem-estar da fauna brasileira, a maior limitação de licença para atividade às instituições com capacidade de manter a dignidade animal em ressonância com o caráter público da vivência. Isso posto, tal objetivo torna-se possível por meio do enrijecimento dos requisitos necessários ao funcionamento dos jardins zoológicos a fim de que a formação de um recinto saudável e confortável sirva de fomento à criação de uma consciência ambiental em toda a sociedade.