Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?
Enviada em 06/06/2022
Mais de 108 instituições de defesa animal no Brasil, com cerca de 75 mil animais, foram alvo de críticas de biólogos e ativistas contrários ao modelo. Os zoológicos e aquários do Brasil atraem coletivamente cerca de 20 milhões de visitantes por ano, mas não há consenso sobre o papel dessas instituições. No Brasil, pelo menos 1.173 espécies de animais estão em risco de extinção, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Na série especial Desafio Natureza, o G1 conta a história das araras e onças-pintadas do Brasil, ameaçadas de extinção, e como as pessoas podem ajudar a proteger esses animais.
Pesquisadores que mantêm zoológicos acreditam que essas instituições ajudam a aumentar a conscientização sobre a importância de proteger a biodiversidade, mesmo os animais ameaçados de extinção. Por outro lado, os críticos do modelo atual argumentam que as espécies da lista de risco do ICMBio não se beneficiariam da presença de um zoológico ou aquário. Apesar do dilema, os zoológicos fazem parte do imaginário coletivo de quase todas as sociedades conhecidas. Registros arqueológicos indicam que o primeiro nasceu há mais de 6.500 anos na Mesopotâmia, área hoje ocupada pelo Iraque. Também é comum que governantes como imperadores ou monarcas colecionem animais exóticos, geralmente em países conquistados por exércitos.
Muitas vezes apontadas como uma alternativa ao modelo de zoológicos e aquários, as áreas protegidas carecem de regulamentação no Brasil. “Embora o termo refúgio seja muito usado hoje, ainda não há legislação nacional para defini-lo”, explica Roberto Borges, do Ibama. A falta de fiscalização das instituições fechadas ao público preocupa Cláudio Maas, do Azab. Para ele, o santuário precisa ser mais transparente. “No zoológico, nossos visitantes podem ver as condições de vida dos animais e relatar problemas às autoridades caso vejam algum problema”, defendeu. “No que diz respeito aos abrigos, temos um local fechado com acesso limitado e não sabemos o que se passa lá dentro todos os dias.”