Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 20/07/2022

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude de sair da sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática, no que diz respeito ao zoológico como um ambiente de desrespeitos aos animais. Nesse contexto, torna-se evidente a priorização de interesses financeiros e o silenciamento.

Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de indústria cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Diante dessa perspectiva, problemas como animais expostos em zoológicos florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros, sem realmente pensar em priorizar o bem estar dos animais, que acabam muitas vezes sofrendo por estarem presos a ambientes na qual eles não pertencem. Assim, tem-se a objetificação desses animais que servem apenas de entretenimento para as pessoas, gerando um lucro, assim agravando o problema.

O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós- moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno dos animais que sofrem maus tratos nos zoológicos. Já que é uma pauta onde esses animai não possuem poder de fala, ou seja, sem alguém para defendê-los, além de render lucro, o que acaba por ser silenciada. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida.

Para esse fim, é preciso que ONG’s, em parceria com mídias de grande acesso, criem campanhas nas redes sociais que façam a sociedade repensar se o todo o espetáculo, vale a pena que animais sofram. Tais campanhas devem refletir sobre a atuação desses interesses e todas as consequências, para que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem- estar coletivo. Dessa forma, talvez, o universo místico da caverna permaneça apenas na ficção.