Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?
Enviada em 13/07/2022
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 225 o direito à um meio ambiente ecológicamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não se tem reverberado com ênfase quando se observa os debates sobre zoológicos, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para esse quadro.
Em uma primeira análise, segundo Hanna Arendt o “mal banal”, refere-se a banali-zação de algo que prejudique um determinado grupo sem que praticamente reflita suas ações. Assim, tornar os bichos atrações para o público normatiza o seu sofrimento sem que a população discuta sobre isso ou intervenha para uma mudança. Essa conjuntura segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos indispensáveis como o de um meio ambiente equilibrado, o que é, infelizmente, evidente no país.
Ademais, é fundamental analisar o tráfico de animais. Nesse sentido, a ficção Jurassic Park enuncia práticas para a criação de espaços para os dinossauros ao possuir um motivo principal da realização o retorno financeiro e a negligência as estruturas, ademais o bem estar dos répteis. Diante do tal exposto, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, a exteorização do “habitus”, comportamento adquirido pelo meio social terá como causa direta a minimização dos impactos causados pelos zoológicos. Logo, é impreenscindível combater a mercantilização da vida selvagem.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas para solucionar essa problemática. Para isso, cabe a IUNC (União Internacional para a Consideração da Natureza) conscientizar as nações sobre a captura e exposição de animais, mostrando o dano a saúde mental dos bichos, através de reuniões feitas em parcerias com os líderes mundiais, a fim de que se desenvolva um projeto de educação ambiental para os países. Assim, se consolidar-se-á uma sociedade mais consciente, na qual o Estado cumprirá o proposto pela Constituição.