Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 04/08/2022

O “Mito da Caverna” trata da importância de conhecer a realidade para chegar à criticidade. Hoje, pode-se relacionar a alegoria de Platão com a invisibilização do desrespeito aos animais em zoológicos, uma vez que animais em condições de viver na natureza estão nesses ambientes que prejudicam sua saúde e causam desequilíbrio ecológico. Nesse sentido, emerge um delicado problema que se estrutura na sensação de superioridade e na supremacia do capital.

Dessa forma, em primeira análise, a intolerância é um desafio na questão. A Teoria da Eugenia defende a existência de características humanas superiores a outras. Analogamente, é nítida eugenia social em zoológicos, visto que quase 80% dos animais nesse âmbito foram retirados da natureza para viver em situações precárias para satisfazer caprichos humanos. Logo, a superação da lógica eugênica é urgente.

Além disso, cabe analisar a priorização de interesses financeiros na entrave. Segundo Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é evidente no debate sobre zoológicos, já que, além do lucro turístico que os mesmos geram, animais são vendidos para outros zoos ou revendedores como mercadoria. Assim, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é indispensável.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve criar um projeto para combater a comercialização de animais, por meio de fiscalizações semanais em zoológicos, a fim de reverter a supremacia do capital existente no tema. Tal ação pode, ainda, ser divulgada pela mídia de massa para a população acompanhar os resultados. Paralelamente, é preciso intervir sobre a sensação de superioridade presente na problemática. Desse modo, a alegoria da caverna poderá continuar a ser apenas um mito.