Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 15/07/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente o sofrimento dos animais nos zoológicos é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do desrespeito que esses sofrem ao ficarem presos em cativeiros, desenvolvendo casos de depressão.

A princípio, é necessário esclarecer que zoológicos não são ambientes que ajudam na preservação de espécies. O objetivo deste é prender a animália em cativeiros, mentindo para o público que os soltarão quando estiverem em condições favoráveis para voltarem aos seus habitats naturais, gerando lucro em cima da situação deplorável deles. Segundo estudos, os elefantes presos nos zoológicos necessitam de mil vezes mais território do que tem nos centros ecológicos, concluindo assim que esses espaços que deveriam ser positivos em relação à ecologia, na verdade são mais negativos.

Com efeito, os animais desenvolvem mudanças nos seus comportamentos, podendo apresentar sinais de depressão e agressividade, sendo um risco aos visitantes e funcionários do estabelecimento. Acerca disso, é oportuno rememorar a teoria de Hannah Arendt, a qual dizia que um mal que tornou-se comum de ser praticado é banalizado, portanto, em analogia a filósofa, ver os bichos tristes e anormalmente agitados nos zoológicos se tornou algo comum, ou seja, houve uma banalização do mal.

Assim, é de grande importância ações interventistas para a redução do desrespeito aos animais e, de fato, garantir bem-estar a eles. Logo, cabe ao Poder Legislativo punir os zoológicos que não devolvem a animália a natureza por meio da criação de leis, a fim de assegurar que os bichos tenham o direito à saúde e respeito. Dessa maneira, poder-se-á transformar o Brasil em um país respeitoso ao reino animal, e criar um legado de que Brás Cubas pudesse se orgulhar.