Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 08/08/2022

De acordo com Sêneca, escritor do império romano, todos os vícios são mais leves quando visíveis: eles são muito perecíveis quando se escondem sob o ar da pureza. de forma análoga, suas palavras remetem em nossos dias, à vulnerabilidade dos animais mediante a ausência de crítica ao vício de captura e cativeiro dos zoológicos. Nesse prisma, deve-se traçar estratégias a partir da atuação nas causas do problema: a desinformação social e a negligência estatal.

Dessa forma, em primeira análise, tem se a alienação social como desafio presente nos debates sobre os zoológicos serem ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais. Sob essa ótica, o autor Douglas Alves Bento afirma que a alienação só sobrevive com a nossa falta de conhecimento social. Logo é inaceitável ignorar os efeitos contrários, como o “pacing” (andar de um lado ao outro, geralmente reação dos felinos) e até mesmo sinais depressivos apresentados por animais que vivem em cativeiro que são causados pelo pequeno espaço ofertado a eles.

Além disso, o descuido governamental é notório pois muitos desses animais são retirados da natureza sem apresentarem risco de extinção ou qualquer impossibilidade de sobrevivência. Pesquisas apontam que apenas 21% dos animais aquáticos que vivem em zoológico não foram retirados de seu habitat. Consoante a isso, observa-se a displicência estatal no que se diz respeito aos cuidados oferecidos pelos ambientes de “preservação”.

Depreende-se portanto, a adoção de medidas que venham conter o descaso ofertado aos animais nos zoológicos. Dessa maneira, cabe a Arca Brasil (associação humanitária de proteção e bem estar animal), promover a conscientização social sobre os males causados às espécies em cativeiro, por meio de campanhas midiáticas, a fim de que sejam resgatados apenas animais que necessitam de cuidado mas que além disso, eles retornem à natureza ao final do tratamento. Somente assim, faremos visível e leve o vício de captura como afirma Sêneca.