Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?

Enviada em 11/08/2022

No longa-metragem “Compramos um Zoológico”, o protagonista Benjamin Mee, após a morte de sua esposa, se muda para um zoológico abandonado com seus dois filhos, durante o filme, são narrados os diversos desafios pelo qual esse pai passa ao lutar pela manutenção do local. De maneira análoga a isso, é possível refletir se os zoológicos possuem função ativa na preservação de espécies ou são ambientes que desrespeitam a fauna que abrigam. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: historicamente os zoológicos são ambientes para o entretenimento da espécie humana e a justificativa de que servem como agentes de preservação é rasa.

Em primeira análise, evidencia-se o fato de que manter animais em cativeiro para observar seu comportamento “natural” é apenas uma forma de diversão para os humanos, os quais desde a antiguidade apreciam ter o domínio da natureza. Sob essa ótica, é possível referir-se à história egípcia de mais cinco mil anos atrás, na qual centenas de animais eram expostos por faraós como demonstração de riqueza e poder. Dessa forma, fica evidente a verdadeira função dos zoológicos: a exibição dos animais como entretenimento e, no contexto capitalista, gerar lucro sem considerar as nocividades de tal ação.

Além disso, é notório que as justificativas de que os zoológicos preservam espécies, argumento utilizado por aqueles que os apoiam, não apresenta credibilidade. Colocando em debate a realidade da maior parte dos 60 zoológicos do Estado de SP registrarem alguma denúncia de maus-tratos. Desse modo, tais justificativas não passam de um mecanismo para gerar conforto aos humanos que atribuem aos zoológicos atividades benéficas aos animais, quando, na prática, os privam da normalidade de vivência em seus respectivos habitats.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas para resolução do debate. Dessa maneira, cabe ao Ministério do Meio Ambiente e ONGs, investirem em alternativas reais para a preservação da fauna, aliando-se à ciência para tal. Além disso, como alternativa para a geração de lucro e entretenimento humano, é possível o desenvolvimento e implantação de tecnologias como hologramas e cenários que substituam os animais vivos e zoológicos.