Debate sobre os zoológicos: ambientes de preservação ou de desrespeito aos animais?
Enviada em 03/11/2022
No filme “Madagascar 2”, um grupo de animais é capturado e retirado do seu ambiente de origem para que seja utilizado no zoológico do “Central Park” como ferramenta de entretenimento aos humanos. Essa obra, apesar de fictícia demonstra a visão antropocêntrica presente na sociedade ao “espetacularizar” a vida dos organismos. Em vista disso, esses seres são vítimas de desrespeito e, por isso, desenvolvem severos problemas de saúde.
Sob esse viés, o enjaulamento de animais apenas com o objetivo de promover diversão a sociedade reflete esse pensamento de superioridade humana. Nessa perspectiva, para René Descartes os seres vivos são como “máquinas” criadas por Deus para satisfazer as vontades dos indivíduos. A partir disso, nota-se que as ideias do filósofo ainda perduram na sociedade, uma vez que, cotidianamente, leões, zebras e golfinhos são retirados do seu habitat e utilizados em zoológicos para gerar ludicidade ao telespectador. Dessa forma, cabe as instituições alterar essa mentalidade cartesiana com o intuito de solucionar essa problemática.
Por conseguinte, é importante analisar os distúrbios comportamentais e fisiológicos causados pela vida em cativeiro. Isso posto, Jeremy Bentham elabora uma ética utilitária, na qual a conduta humana deve se basear na capacidade de gerar o mínimo de sofrimento possível aos animais. Contudo, diante da realidade de superlotação, de pouco espaço e de violência, depreende-se que os zoológicos ainda não adotaram os valores morais propostos pelo pensador, o que provoca depressão, psicoses e até a morte desses seres em razão das péssimas condições de vida.
Destarte, é mister que as escolas – organização responsável pela transformação dos valores sociais – fomente uma ética baseada no respeito mútuo entre humanos e animais, por meio de aulas de sociologia e filosofia. Além disso, é importante que as ONGs combatam os maus tratos, mediante a denúncia das empresas que promovem práticas nocivas. Tudo isso a fim de formar indivíduos mais conscientes que lutem pela preservação da fauna do planeta. Assim, evitando que cénarios como o de “Madagascar 2” se repitam.