Deficit habitacional no Brasil
Enviada em 21/10/2019
Realidade Distante
“O Bicho”, de Manuel Bandeira traça a animalização do homem ante à questão da extrema pobreza, e reverbera tal problemática no território nacional. Nesse cenário, é possível associar o poema modernista à questão dos moradores de rua no Brasil. Isso porque, a situação dos brasileiros referidos é condicionada sobretudo, pela escassez de políticas governamentais, que somadas, ainda, pela marginalização desses, urgem a ruptura de tal conjuntura.
Em primeiro plano, há de se analisar a falibilidade governamental, vigente no país, como um imperioso entrave na promoção de medidas que visem à melhoria das políticas habitacionais. Nessa lógica, o desfalque financeiro dos desabrigados é agravado, especialmente, pela negligência estatal, visto que, predomina, nesse âmbito, uma irrisória assistência socioeconômica para a população abaixo da linha de extrema pobreza, cuja renda diária não ultrapassa um dólar - segundo dados da ONU. Sob essa ótica, a Primeira Lei de Newton conjectura-se à temática, haja vista que faz-se necessária a atuação de uma força resultante para liquidar o estado inercial da questão supracitada. Cumpre, assim, a perspectiva: enquanto a banalização estatal for regra, a ascensão dos moradores de rua será exceção nacional.
De outra parte, cabe ressaltar que a discriminação social paramenta uma das dificuldades enfrentadas pelos mendigos que habitam o território verde e amarelo. Nesse sentido, o teórico Gilberto Freyre infere que, enquanto distante dos padrões arraigados em uma comunidade, o indivíduo tende à segregação de seu meio.logo, tal preconceito acaba por intensificar o déficit emocional destes e entende, dessa forma, os obstáculos confrontados no cotidiano dos desemparados em questão. Com isso, o pensamento do sociólogo brasileiro delimita, também, a responsabilidade civil na constituição do conceito de cidadania. Dessarte, há de se considerar o estabelecimento de tal interação comunitária. Impende, portanto, a ruptura dos desafios combatidos por moradores de rua nos centros urbanos, Para tanto, cabe ao BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o terceiro setor, difundir e organizar complexos habitacionais que visem à retirada de mendigos, promovendo o investimento em gratuitas fornecidas pelo governo, com o fito de proporcionar uma primeira assistência à tal camada. Ademais, o papel do conativo midiático deve aliar-se ao incentivo da inserção social de desabrigados, recorrendo a campanhas nacionais e publicidades voltadas à compreensão da importância populacional no auxílio de sua reinserção no espaço brasileiro. Será possível, assim, viver uma realidade distante de “O Bicho”.