Deficit habitacional no Brasil
Enviada em 15/02/2020
Na sua obra O Cortiço, o autor naturalista Aluísio Azevedo narra a vivência de várias pessoas dentro de um cortiço, cenário típico do país no começo do século XIX. Mesmo sendo uma obra literária, o livro não se distancia de uma realidade que perdura até os dias atuais. Em virtude da má distribuição do território brasileiro desde a colonização, o país foi segregado: os mais ricos possuem acesso aos melhores locais, enquanto os mais pobres ficam reclusos a morar em zonas marginalizadas e afastadas do centro urbano, que diversas vezes oferecem riscos à vida. Dentro desse contexto, tal ótica infringe direitos garantidos na Constituição Federal, surge daí a necessidade de analisar o atual contexto para que medidas eficazes sejam tomadas.
Em primeiro plano, é imprescindível analisar a quantidade de cidadãos sem moradia. Tendo em vista que grande parte dessas pessoas vivem nos grandes centros urbanos do país, como São Paulo, é possível ponderar um fato histórico como impulsionador do déficit: com a crise do café de 1929, o então presidente Getúlio Vargas mudou o sistema econômico do país, investindo na industrialização. Esse ato desencadeou um enorme êxodo rural, que promoveu um inchaço urbano e em decorrência disso, muitas pessoas passaram a morar em lugares precários. Nos dias atuais, esse cenário ainda é presente por conta da falta de políticas públicas, que evidentemente, urge por mudanças.