Deficit habitacional no Brasil
Enviada em 22/07/2021
A chamada “Era Vargas”, por volta de 1930, foi marcada por um processo acelerado de urbanização no Brasil, em que o êxodo rural em busca de melhores condições de vida transformou as cidades brasileiras em um verdadeiro caos pela falta de planejamento. No entanto, imaginar que essa realidade preocupante ficou apenas na história do país é ludificar o passado e negligenciar a própria realidade, pois o deficit habitacional ainda é um problema a ser debatido. Isso se deve não só a ineficiência do Estado, mas também à falta de preparo das cidades em acolher novos habitantes.
Nessa linha de raciocínio, a postura passiva no governo em sanar a falta de moradia no Brasil é um potente catalisador para esse problema. De acordo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar da população. Entretanto, a falta de novas políticas públicas e de incentivo às já existentes, como o programa “Minha casa minha vida”, são importantes agentes para a problemática, pois com toda a urbanização, industrialização e alta natalidade do cenário atual, a quantidade de pessoas em busca de um lar aumenta e as ações de balanceamento não acompanham esse ritmo frenético. Assim, em busca de uma solução, é remar contra maré diante da conduta pacífica do governo, que, de forma classicista, segrega as pessoas e quem se afoga são os menos favorecidos.
Ademais, é importante debater acerca do mau planejamento das cidades brasileiras. Nesse sentido, o inchaço urbano provocou a super valorização dos centros urbanos, em que são banhados de oportunidades, educação e cultura. No entanto, as zonas mais afastadas desses centros são, gradualmente, esquecidas e privadas de recursos básicos como: saneamento, saúde, segurança e educação de qualidade. Dessa forma, as pessoas que não conseguem custear esses serviços nos centros, acabam por se inserirem na irregularidade, habitando novos espaços em condições precárias, na ocupação de morros e áreas geograficamente perigosas, como, por exemplo, as favelas.
Portanto, urge que o Ministério da Cidadania, em parceria com o Tribunal de Contas, invista em construções de baixo custo para as pessoas menos favorecidas, por meio da intensificação e apoio ao projeto “Minha casa Minha vida”, a fim de mitigar o deficit habitacional no Brasil. Para que, feito isso, o caos urbano da “Era Vargas” supracitado fique apenas nos livros de história e que o acesso à moradia seja mais democrático.