Deficit habitacional no Brasil
Enviada em 18/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, no contexto atual brasileiro, o deficit habicional, amiudadamente, assemelha-se ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e o alto preço dos aluguéis nas áreas com condições adequadas para se residir.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas estatais para combater o impasse. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades milhares de brasileiros vivem em situações de moradia precárias, como por exemplo, residências construídas com um material inadequado, áreas sem acessibilidade ao transporte ou postos de saúde e casas com pouco espaço para uma família grande. De acordo com a (FJP) Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional no país passou de 5,657 milhões, em 2016, para 5,877 milhões, em 2019. Logo, tal problemática representa um grave retrocesso.
Outrossim, o alto custo das residências em lugares com boas condições de moradia pode ser apontado como potencializador do problema. Isso porque, com o advento da urbanização, as áreas que possuem melhores aspectos habitacionais foram ocupadas pelo corpo social que detêm de melhores condições financeiras, ao passo que os indivíduos de baixa renda são obrigados a se aglomerarem em espaços apertados em lugares irregulares, seja pela falta de planejamento mínimo, seja pelo perigo de invações por não terem proteção alguma, como muros ou cercas. Desse modo, a população carente economicamente é excluída de ambientes propícios à moradia, uma vez que essas áreas tem custo elevado, a medida que, são submetidos a viver em casas inadequadas ou em situação de rua. Faz-se imprescindível, assim, a dissolução dessa conjuntura.
Infere-se, portanto, que combater o deficit habitacional no Brasil é uma grande desafio. Sendo assim, o Governo Federal, como instância maxima da administração executiva, deve atuar em favor da população e, por meio da criação de projetos de leis que proponham a construção de ambientes adequados, com postos de saúde, pontos de ônibus e áreas de lazer, para residência dos indivíduos que não possuem moradia ou vivem em condições irregulares, com o fito de diminuir os efeitos da urbanização e oferecer um lugar digno para àqueles que não detêm de poder econômico. Espera-se, então, que os sentimentos de desamparo retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.