Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental
Enviada em 21/05/2023
Ao estudar as condições de trabalho da classe operária inglesa do século XIX, Karl Marx cunhou o termo “fetichismo da mercadoria”, onde debateu sobre a transposição de valores humanos em objetos, que se tornaram símbolo de sucesso financeiro. Agora, em pleno século XXI, é notável que o ato de adquirir mais bens, especialmente na indústria da moda, encontra grande respaldo na mentalidade de todas as classes, independente das consequências ambientais e sociais geradas. Todavia, como decorre esse “fetiche” na vida, trabalho e consciência das pessoas?
O século XX foi marcado pela expansão do “american way of life” e de uma noção consumista como principal forma de validação social. Nota-se a massificação de bens, a exemplo das roupas, agora debaixo de uma ótica mercadológica e puramente lucrativa, ou seja, o ato da compra se torna um novo indicador de qualidade de vida. O artista da Pop Art, Andy Warhol em célebre frase comenta: “É necessário tomar cuidado com o que se compra hoje, pois se você não o faz é provável comprar lixo” ao falar do momento vivido no surgimento da Pop Art.
Consequentemente, para atender a alta demanda de compras, a indústria da moda brasileira se locupleta da grave crise de trabalhos formais atuais. Segundo pesquisa do PNAD o número de trabalhadores desempregados alcança 12 milhões e cerca de 24,4 milhões informais, assim é difícil regular o setor quando boa parcela da mão - de - obra se encontra subutilizada e em desespero financeiro, o que os faz recorrerem a estrutura precarizada de empresas terceirizadas, um elemento que não auxilia na redução de impactos ambientais, pois impede controle sobre o setor.
Portanto, uma alteração no ritmo e métodos produtivos da indústria da moda necessariamente passa por uma reavaliação da estrutura aplicada. O Ministério do Meio Ambiente aliado ao da Indústria e Comércio devem em conjunto com lideranças sindicais promover workshops, palestras, regularização do setor com o fim de terceirizações e maior fomento a uma indústria nacional unificada e de “carteira assinada”. Desta forma, ao garantir melhores condições é importante validar métodos sustentáveis por meio da ruptura com a lógica consumista, realizando um trabalho de conscientização duradouro, a fim de reduzir o descarte, aumentar o reúso, e preservar fauna e flora nacionais.