Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental

Enviada em 28/06/2023

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 225º, que todos os cidadãos brasileiros possuem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para uso comum da nação, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de conservá-lo. Hodiernamente, a preservação socioambiental se apresenta como um desafio para a população brasileira, tendo em vista os impactos produzidos pela indústria de moda no país - que afeta intensamente a natureza. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise dos principais propulsores desse contexto hostil, como o descaso governamental e a indiferença social.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais no que se refere à fiscalização e controle do uso de recursos naturais nos meios de produção. Segundo as ideias do filósofo John Locke, esse cenário se configura como uma violação do “contrato social”, visto que o Estado não cumpre seu papel de garantir o desenvolvimento sustentável, pautado na racionalização do consumo e no combate à poluição gerada pela indústria têxtil. Logo, é notório que a falta de intervenção no processo fabril é um entrave para o progresso nacional.

Ademais, destaca-se como outro agravante dessa problemática a indiferença coletiva diante da circunstância. Nesse sentido, tal postura expõe o conceito de atitude blasé, do sociólogo alemão George Simmel, que crítica a neutralidade do corpo social diante de situações que demandam atenção. Sendo assim, com a negligência populacional diante do consumo desenfreado de roupas, produzindo grandes quantidades de lixo, áreas naturais ficam sujeitas a processos irracionais de exploração de matéria prima, tornando, por consequência, ameaçadas.

É evidente, portanto, a necessidade de medidas que solucionem os desafios impostos para a diminuição da poluição no setor de moda. Dessa maneira, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável pela conservação ambiental, a elaboração de políticas que reconheçam a propaguem a importância do consumo consciente. Para isso, é preciso que, se necessário, protocole ofícios junto à Procuradoria da União. Assim, o tema tornar-se-á prioridade nas pautas governamentais, visto que é de interesse de toda nação e previsto na Constituição.