Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental

Enviada em 03/08/2023

Dentre as cenas mais marcantes do filme “Cruella”, de 2021, a protagonista -uma estilista punk- surge utilizando um vestido feito com retalhos de tecidos e jornais, enquanto saía dum caminhão de lixo. Nesse cenário, a personagem representa a moda revolucionária e disruptiva do período, e ainda que a obra se passe na década de 1970, parte da indústria “fashion” continua empenhada em remodelar seus meios de produção a fim de diminuir os impactos ambientais. Assim, cabe discutirmos como o consumismo e o eurocentrismo fomentam a problemática.

De acordo com o sociólogo Noam Chomsky, enquanto a sociedade estiver alienada pelo consumismo, quem está no poder poderá fazer o que quiser, e os sobreviventes enfrentarão os resultados. Analogamente, a postura materialista da população permite que o mercado produza em excesso para suprir a alta demanda. Consequentemente, essa busca pelo lucro gera escassez de matéria-prima e acúmulos residuais, provocando desequilíbrios ambientais.

Ademais, vale abordarmos os prejuízos causados pelo eurocentrismo. Segundo a revista de moda “Vogue”, o racismo ambiental e o colonialismo de resíduos propõem que a superprodução de países ricos resulta em lixo e miséria para os mais pobres. Sob essa óptica, verifica-se que nações desenvolvidas, como a França -que recentemente criou uma lei incentivando a reciclagem de vestimentas- estão se comprometendo com a sustentabilidade, mas excluem regiões africanas, asiáticas e latinas do debate. Logo, a visão eurocêntrica lesa tais populações à medida que sufoca a economia local e auxilia na acumulação de descartes -ora pela busca de mão de obra barata, ora pelo escoamento de restos têxteis.

Portanto, é de suma importância que os veículos midiáticos e os setores de marketing empresariais -baseados no “Manual de Comunicação de Moda Sustentável” da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU)- conscientizem a população sobre as consequências dos meios de produção e consumo vigentes, através de campanhas nas redes sociais e televisivas, a fim de que o consumidor altere sua postura e cobre transformações da indústria da moda perante os impactos ao meio ambiente. Dessa maneira, o ódice reduzirá paulatinamente à nível mundial, e a revolução proposta por Cruella finalmente sairá da ficção.