Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental
Enviada em 09/10/2024
Na obra ´´O Cidadão de Papel´´, Gilberto Dimenstein ressalta a profunda disparidade entre as leis sociais formalmente estabelecidas e suas efetivas aplicações no cotidiano dos cidadãos. Essa dicotomia entre o que está previsto no papel e o que é vivenciado na prática reflete - de maneira aguda - a situação brasileira. Um exemplo emblemático é o princípio constitucional em contribuir na preservação do meio ambiente, consagrado na Constituição de 1988. Nesse contexto, é essencial investigar como a sociedade hostil e a omissão estatal contribuem para perpetuar essa distância entre o ideal normativo e a prática social com a indústria têxtil.
Efetivamente, o individualismo predominante em grande parte da sociedade atual pode ser identificado como um obstáculo significativo à resolução das mazelas do consumo acelerado. Nesse contexto, o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, aponta que a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais, evidenciada pela fragmenta- ção dos laços afetivos e pelo crescimento do individualismo. Sob essa perspectiva, destaca-se que a passividade coletiva diante do grande desperdício da sociedade, que quer consumir cada vez mais, acaba ilustrando perfeitamente a realidade baumaniana. Isso ocorre porque -lamentavelmente- muitos indivíduos, focados em suas próprias ambições pessoais, deixam de se preocupar com o que acontece ao seu redor. Dessa maneira, a irresponsabilidade cidadã faz com que o Brasil seja o 7º país mais desigual do mundo, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) agravando ainda mais esse problema.
Além disso, a omissão estatal causa 148.000 desperdicíos de lixos de roupas por dia, de acordo com a Fundação Ellen. É retratada na música “Brasil Colônia”, da banda Oriente: “Lágrimas de sangue escorrem dos filhos deste solo e irrigam esse solo, crianças pedem colo e a pátria-mãe se isola”. Nesse sentido, a canção denuncia a ausência de garantias de direitos fundamentais ao des- carte de lixo desenfreado e como afeta á população, evidenciando que o Estado falha em cumprir seu papel de proteção. Como consequência, esse empecilho aumenta ás mudanças climáticas, o que pode gerar também, um consumo excessivo de recursos naturais - fauna e flora.
Portanto, frente à conjuntura brasileira atual, é reiterada a necessidade do Estado, em colaboração com as mídias, criar campanhas educativas que visem em preservar o meio ambiente. Essas Inicia- tivas devem ser realizadas por meio parcerias público-privadas, com o Ministério do Meio Ambiente, promovendo debates educativos com sociólogos para abordar uma questão mais ampla sobre os recursos naturais. Somente com tais medidas. a Constituição de 1988 será obedecida.