Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental
Enviada em 02/11/2024
Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, o escritor Manuel Jorge apon-ta que a ausência de cultura constitucional conduz à ineficácia social dos textos da Lei Maior. Para o autor, o Brasil é estruturado formalmente pela Constituição Fede-ral; todavia, na prática, os direitos por ela garantidos não se encontram efetivados. Nesse sentido, esse cenário é presente na realidade brasileira, visto que o proble-ma do elevado impacto ambiental gerado pela indústria da moda é circunstância impeditiva da efetividade dos textos da Carta Magna. Esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência estatal, mas também da indiferença da sociedade.
Percebe-se, então, que há débil ação do Poder Público com o revés. Diante dis-so, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ele está inserido. Porém tal premissa não é assegura-da com eficiência em todos os segmentos do corpo social. Nessa lógica, essa insu-ficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação permitem que a indústria da moda não invista em uma produção mais sustentável e com me-nos produção de lixo. Dessa forma, é feito um grande volume de resíduos que per-durará por anos no meio ambiente. Por isso, é essencial buscar uma solução.
Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência da elevada agressão à natureza causada pelo mercado “fashion”. Nesse contexto, o livro “Paradoxo da Moral” escrito pelo filósofo francês Vladimir Jankélévitch para e-xemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pesso-as frente aos impasses enfrentados pelo próximo. Analogamente, percebe-se que a população não faz uso consciente das roupas, aderindo, dessa forma, à descarta-lização das vestimentas, no qual roupas tem uso único em eventos sociais. Tal fato ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradica-ção dessa problemática; pelo contrário, adquire uma posição individualista.
Depreende-se, portanto, que é mister a atuação governamental no problema. Então, o Governo Federal, responsável por administrar o povo e os interesses pú-blicos, deve incentivar o consumo consciente dos vestuários, mediante palestras em eventos de moda. Tal medida tem como propósito, incentivar o consumo de roupas de material reciclado e de reutilizá-las. Assim, haverá um estilo sustentável.