Desafios da indústria da moda para reduzir o impacto ambiental
Enviada em 06/03/2025
O sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da “modernidade líquida”, afirma que a sociedade contemporânea se baseia no consumo rápido e descartável, sem considerar as consequências desse modelo. Esse fenômeno pode ser observado na indústria da moda brasileira, que, embora desempenhe um papel fundamental na economia nacional, também gera impactos socioambientais alarmantes. Nesse contexto, a precarização do trabalho na cadeia produtiva e a degradação ambiental são alguns dos principais problemas causados pelo setor.
Em primeira análise, cabe ressaltar que no âmbito social, um dos principais desafios enfrentados é a precarização do trabalho na indústria da moda. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o setor têxtil é um dos que mais registram casos de trabalho análogo à escravidão no Brasil, com trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas e remuneração inadequada. Sob esse ponto de vista, é notório a exploração da força de trabalho pelo sistema capitalista, no qual os lucros são maximizados às custas do sofrimento dos operários. Dessa forma, a busca incessante pelo consumo reforça a exploração de mão de obra vulnerável.
Outrossim, os impactos ambientais da moda são expressivos. Nesse viés, a produção têxtil consome grandes volumes de água e produtos químicos, sendo responsável por cerca de 20% da poluição hídrica mundial, conforme dados da ONU Meio Ambiente. Esse cenário se relaciona com a obra Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, que denuncia os efeitos devastadores da contaminação ambiental causada pela ação humana. Assim, o descarte inadequado de resíduos têxteis e a poluição gerada pela indústria da moda contribuem diretamente para o agravamento da crise climática e da escassez de recursos naturais.
Diante desse contexto, medidas são essenciais para mitigar essa problemática. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o setor têxtil, deve incentivar a economia por meio de incentivos fiscais para empresas que adotem práticas sustentáveis. Isso pode ser feito através da criação de um selo de certificação ambiental, que garanta que os produtos atendam a critérios ecológicos. Além disso, o Ministério do Trabalho deve fortalecer a fiscalização das fábricas e ampliar campanhas educativas sobre trabalho digno.