Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 29/10/2019

Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, no Brasil, quatro em cada dez jovens de até 19 anos não concluíram o ensino médio, dentre eles, metade não terminou o ensino fundamental. Desse contexto, emergem discussões acerca dos danos que tal cenário representa ao país e das cabíveis propostas para reverter tal cenário, das quais se destaca a modalidade da Educação de Jovens e Adultos como ferramenta inclusiva de educação e recuperação que já ganhou notoriedade pelos resultados no país. Nesse sentido torna-se vital adotar uma postura de incentivo à modalidade, tendo em mente tanto seus benefícios sociais e individuais, quanto seus impactos construtivos a longo prazo.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar que a modalidade de ensino adulta possui um potencial de transformador social e acarreta ganhos positivos tanto ao estudante quanto à comunidade. Para elucidar essa questão, o patrono da educação brasileira, Paulo Freire defende que “a educação não transforma o mundo, a educação muda pessoas e pessoas transformam o mundo”. A partir disso, pode-se conectar o EJA a princípios como a democratização do ensino e a transformação social, uma vez que, munido de novos conhecimentos, o jovem e adulto pode reinventar-se e reinventar o mundo, associando aspectos teóricos com a realidade prática, construindo algo novo e útil. Assim, a forma de ensino específica possibilita modificar o ambiente a partir de um olhar esclarecido e seguro.

Já em relação ao segundo ponto,  é coerente pensar sobre os aspectos construtivos e progressistas que o EJA promove à sociedade. No tocante a essa questão, e válido trazer o pensamento do filósofo David Hume, segundo o qual, todo aquele que remover barreiras e obstáculos ou inaugurar novos caminhos e perspectivas à via do saber e ciência deverá ser considerado um benfeitor da humanidade. Posto isso, infere-se que, enquanto que manter os níveis de analfabetismo e incompletude do ensino básico representa um caminho desviante e nefasto, reverter esse cenário por meio do ensino à jovens e adultos apresenta uma carga de benfeitoria capaz de ampliar a cidadania ao possibilitar uma releitura do mundo e viabilizar a participação nas decisões através da obtenção de saberes sobre si e sociedade

Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão referente a medidas capazes de efetivar a modalidade de ensino a jovens e adultos no Brasil. A respeito disso, o Ministério da Educação, por ser o órgão responsável por zelar pela educação pública e coordenar ações no âmbito nacional, deve desenvolver projetos de ampliação da formação de jovens e adultos no país. Isso pode ser feito por meio da interiorização dos esforços, de modo a democratizar seu acesso, e readequação da rotina, via classes em horários que adaptem-se às necessidades dos grupos. Tudo isso com o objetivo de ampliar o número de vagas no EJA, garantindo, assim, a maior atuação das transformações sociais à sociedade.