Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 29/10/2019

O Programa EJA (Educação de Jovens e Adultos), foi criado pelo Governo Federal com o objetivo de garantir o acesso à educação básica para as pessoas que, por diversas razões,  não  concluíram a educação básica. No entanto,  esta iniciativa, que visa corrigir um problema histórico e social,  apresenta desafios que precisam ser enfrentados. Logo, o imbróglio necessita ser mitigado já que a educação, segundo a Constituição Federal, é um direito de todos.

Primeiramente, é preciso destacar que, apenas, uma pequena parte dos jovens e adultos que não concluíram o ensino básico são atendidos pelo programa EJA. Este fato é confirmado pela Professora Maria Clara Di Pierro,  da Faculdade de Educação da USP a qual revelou, em debate no Canal do Youtube TV Cultura, que somente 2,5% dos indivíduos, que não terminaram o ensino fundamental em período regular, estão matriculados em escolas que possuem o programa. Além disso, de acordo com Inep, o número de escolas que ofereciam o programa diminuiu de 37 mil para 24 mil na ultima década. Desse modo, é indubitável que o programa EJA  ainda não alcançou a totalidade do publico que urge por uma educação formal no Brasil. Logo, faz-se mister o governo garantir o acesso a um maior número de jovens e adultos que necessitam estudar através deste programa.

Outrossim, a formação de professores qualificados para atender esse público especifico constitui um  grande desafio para o sistema de ensino. De acordo com o pesquisador Roberto Catelli, Coordenador Executivo da ONG Ação Educativa, há uma deficiência de profissionais nas escolas que estão aptos a trabalhar com esse público. Ademais, o pesquisador pontua que isso acontece não só pela dificuldade dos professores em ensinar e se relacionar com um adultos de diferentes carências educativas e socioeconômicas, mas também porque os profissionais tiveram formação acadêmica apenas para trabalhar com faixas etárias de menores de 18 anos. Nesse sentido, torna-se fulcral que o Ensino Superior busque formar professores qualificados para o hodierno contexto.

É evidente, portanto, que existe um grande desafio para que o direito básico à educação seja efetivo a essa parcela da população. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias dos estados, deve  ampliar o EJA em todas as escolas estaduais por meio da construção de mais escolas nos municípios defasados para que um maior número de adultos e jovens que necessitem estudar possam usufruir deste direito. Além disso, o MEC deve  reformular o curriculum dos cursos de licenciatura, por meio da inclusão da disciplina Educação para Jovens e Adultos nas IES públicas e privadas a fim de formar professores capacitados para atuar nessa modalidade educacional. Por meio de tais ações o Brasil vencerá os desafios da Educação de Jovens e Adultos.