Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 30/10/2019
O filme " Preciosa" retrata a vida de Claireece Jones, uma jovem que volta aos estudos após a sua gravidez. Nesse sentido, o longa expõe os diversos problemas que a protagonista enfrenta ao estudar em um ensino para jovens e adultos. Todavia, distante da ficção, a realidade brasileira não é diferente, visto que existem diversas dificuldades a serem travadas ao se abordar o ensino de jovens e adultos -EJA- no país. Diante disso, sabe-se que os desafios em relação ao EJA encontram-se no preconceito sobre essa modalidade, na falta de incentivo político, além da pouca infraestrutura dada pelo Estado.
Neste contexto, é indubitável que existe na sociedade um prejulgamento em relação aos estudos no EJA, visto que, de acordo com a psicóloga Mírian Leite, da Universidade de Campinas, grande parte da população adulta se sente constrangida de retomar os estudos, pois possuem receios de serem ridicularizados por serem mais velhas dentro do ambiente estudantil. Esse quadro, portanto, faz com que muitos adultos optem por não voltar para as escolas, já que, segundo uma pesquisa do site G1, apenas 20% dos entrevistados responderam que teriam coragem de retomar os estudos em 2014.
Além disso, sabe-se que existe uma falta de políticas públicas que encorajem os jovens e adultos a se inserirem no EJA, dado que, conforme dados do portal Exame, o Brasil é um dos países na América Latina que menos investe em programas de recuperação de jovens e adultos para o ambiente escolar. Todavia, sabe-se que países como Noruega, investe 40% da economia em tais programas, fato esse que demostra a discrepância de prioridade do governo brasileiro. Esse panorama de descuido com a educação, por conseguinte, foi retratada em músicas pelo país, como “Perfeição” de Renato Russo.
Ademais, é notório a falta de infraestrutura do ambiente escolar para jovens e adultos, posto que, de acordo com o portal Agência Brasil, cerca de 58% dos EJA faltam materiais escolares, banheiros adequados e até mesmo uma estrutura física descente. À vista disso, inúmeros estudantes se sentem desestimulados e até param de frequentar tais locais, segundo a pedagoga Ana Fernandes. Paralelo à essa questão, o sociólogo Karl Marx, no século XIX, criticava tal adversidade ao abordar a falta de investimento do Governo aos direitos básicos dos mais pobres, como uma educação de qualidade.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação da população, deve promover campanhas que estimulem a entrada da população no EJA. Tais campanhas seriam feitas por meio da visitação de psicólogos em ambientes onde possuem uma alta taxa de população sem ensino completo, como regiões periféricas do país. Tais profissionais forneceriam palestras e debates, com a finalidade de eliminar o preconceito sobre o EJA nesses jovens e adultos e, desta forma, distanciar o pais dos desafios da modalidade do EJA retratado no filme “Preciosa”.