Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 30/10/2019

EJA: Que a compensação seja de qualidade.

Segundo Paulo Freire, a educação muda as pessoas e elas transformam o mundo. Assim, é coerente dizer que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é um direito dos brasileiros e deve ser assegurado pelo Estado assim como garante a Constituição de 1988. Sobre a modalidade de ensino em questão, há desafios em se compreender o porquê os alunos não foram alfabetizados e concluíram seus estudos no tempo esperado e após isso corrigir os erros que causam a evasão, além de aumentar a qualidade e acolhimento do ambiente escolar.

É importante considerar, de início, que o EJA é uma medida que tenta compensar as desigualdades sociais. Com ela, pessoas a partir dos 15 anos podem se inscrever no ensino fundamental e a partir dos 18 anos no ensino médio. Em geral, os indivíduos matriculados na modalidade abandonam os estudos anteriormente por questões de gênero, necessidade em auxiliar no sustento da família ou porque não foram bem amparadas pelas instituições de ensino. Dessa forma, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) de 2017, 53% dos nordestinos não tem ensino fundamental completo.

Ademais, é interessante considerar que o período médio para conclusão do ensino fundamental com o EJA é de dois anos, enquanto o ensino médio dura aproximadamente um ano e meio. Esse tempo é menor que a duração das modalidades tradicionais para se cumprir a base nacional curricular comum. Isso pode ter como consequência a frustração dos estudantes ao se formarem no EJA e perceberem que não foram bem preparados para os vestibulares e mercado de trabalho. E, se faz relevante apontar, ainda,  a redução de 34% das instituições que educam jovens e adultos, segundo o G1, o que prejudica ainda mais os necessitados.

Em virtude dos fatos expostos, o Governo Federal deve criar o Novo EJA. Essa medida ampliará o direito dos cidadãos ao ensino e para isso o Estado precisa reformular a grade e o tempo de duração do ensino de jovens e adultos, além de abrir novas unidades que abriguem a modalidade. Com isso, é importante que os professores recebam treinamento para conseguirem estimular e acolher seus alunos. E, por último, é preciso que pedagogos seja contratados pelo Ministério da Educação para a criação de estratégias que diminuam a evasão escolar no ensino comum e também no de adultos. Através desse plano, estudantes carentes receberão auxílio alimentação e vale transporte. Com isso, espera-se que através da execução de tais intervenções, os desafios da Educação de Jovens e Adultos sejam vencidos e a educação exerça seu papel transformador na vida dos cidadãos, assim como disse Freire.