Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 01/11/2019

Tal qual o mito grego de Atlas, o titã condenado a carregar o mundo nas costas, a educação funciona como principal sustentadora de uma sociedade. Especialmente no Brasil, um país em ascensão, a educação se faz necessária como fonte de mudança social e desenvolvimento. Nesse sentido, é lamentável que tão meritórios programas educativos nacionais como o EJA (Educação de Jovens e Adultos), ainda enfrentem tantos empecilhos em razão da infundada e silenciosa rejeição popular, bem como, por extensão, das dificuldades em fazer com que seus estudantes  ingressem no mercado de trabalho.

Decerto, o padrão de ensino EJA sofre com a subestima, essencialmente em vista de sua duração reduzida em comparação com a duração da educação tradicional em ensinos fundamental ou científico. O preconceito, entretanto, não passa de uma tautologia baseada no senso comum, e, portanto, sem aplicações práticas e que desconsidera os esforços de pais, mães e jovens evasores ou forçados a iniciar uma vida laboral mais precoce (que é, inclusive, o perfil dos estudantes do EJA, segundo estimativas nacionais e artigos acadêmicos digitais). Só no Brasil, mais da metade do ensino no programa é direcionado a jovens ou adultos que cursam apenas o ensino fundamental, ou seja, de 6° a 9° ano.

Ademais, essa visão pejorativa em relação à essa modalidade de ensino é um imenso óbice para a conquista de um território laboral por parte dos estudantes. O conceito de ‘‘desemprego estrutural’’, basicamente a seletividade do mercado a respeito da contratação de trabalhadores com instrução acadêmica básica ou superior, é um fator que influencia o aumento da adesão do modelo EJA. Todavia, a paradoxal rejeição dos adeptos ao programa implica um retrocesso no que diz respeito a fatores como a equiparação de riquezas e o bem-estar popular, além de, inclusive, reduzir a média nacional de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), onde a escolaridade é, na verdade, um dos três principais quesitos avaliativos.

Desse modo, são claras as dificuldades enfrentadas pelo modelo EJA no Brasil: a discriminação silenciosa e a consequente inferiorização trabalhista. Portanto, é de responsabilidade do MEC (Ministério da Eduação) direcionar academicamente os que optam pelo programa por meio da criação de cotas específicas em universidades e estágios temporários de modo a inserir mais desses indivíduos na população economicamente ativa (PEA) do país e desmistificar a inferiorização dessa vertente de ensino, enfim. Afinal, nas palavras do economista britânico Arthur Lewis, ‘‘A educação nunca foi despesa, sempre foi investimento’’.