Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 18/10/2020
No período da filosofia helenísta, foram fundadas diversas escolas, entre elas a estoicista, na qual acreditam que o homem não possui poder para alterar a ordem do universo, devendo apenas compreendê-la e aceitá-la. Dessarte, atualmente, para o debate sobre alguns jovens e adultos não terem diploma por conflitos entre a vida pessoal e trabalhista e sobre as exigências do mercado de trabalho, o pensamento estóico é útil, visto que a condição advinda desde os tempos da colonização é apenas aceita. Deve-se portanto, procurar soluções para o problema apresentado.
Em primeira instância, cabe ressaltar o curto período do dia em que os jovens e adultos que trabalham têm para se dedicar aos estudos. Então, o fato da educação ser deixada em segundo plano por parte da população é uma herança adquirida desde o período do Brasil colônia. Isso se dá por, no período colonial, o ensino ser restrito apenas à população mais abastada economicamente e, atualmente, muitos terem de abrir mão dos estudos para trabalhar e ajudar em casa. De maneira análoga, o sociólogo alemão Zygmunt Bauman apresenta a teoria das instituições zumbi, nas quais há o enfraquecimento das instituições formadoras de bases de valores. Assim, como a situação de substituir o estudo por trabalho é normalizada, a sociedade falha por não produzir condições iguais para todos.
Ademais, o aprimoramento do mercado de trabalho deve ser levado em consideração na análise. Desse modo, as revoluções industriais contribuiram assíduamente na evolução dos mecanismos e máquinas, consequentemente exigindo mais do cidadão que as comanda. Logo, as pessoas que não tiverem conhecimento e qualificação suficientes, são descartadas de serviços que colaborariam para o seu crescimento econômico. Concomitante a isso, o teórico Max Webber disserta sobre o esquema de graduação, em que um fator (renda) ou vários fatores (como renda, tipo de trabalho e grau de instrução) são determinantes para o acesso aos bens sociais. Sendo assim, sem as condições favoráveis, como o estudo, o indivíduo é prejudicado para ascender economicamente no meio em que vive.
Em suma, para resolver a problemática do atrito entre compromisso e tempo de estudo e os altos requisitos no serviço, medidas são necessárias. Dessa forma, cabe as secretarias municipais de educação, juntamente com as escolas, proporem um calendário de avaliações e atividades mais flexível, adicionando mais de uma data para atividades avaliativas, para que o aluno possa adequar aos seus horários. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Economia, devem criar programas que ofertem vagas de trabalho para pessoas que tenham conseguido seu diploma tardiamente, além de oferecerem cursos profissionalizantes para agregar o currículo. A tomada dessas medidas atenurá o problema e fará com que a sociedade abandone o comportamento estóico.