Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 07/11/2019
Em 1985, sob o governo de José Sarney, foi criado o Ministério da Cultura que tinha como objetivos promover produções culturais e garantir o acesso a elas a todo cidadão brasileiro. Contudo, mesmo após décadas de sua criação, o Ministério não atingiu total êxito em suas metas, visto que a democratização de uma importante ferramenta cultural - o cinema - não alcançou igualitariamente toda a população do país. Nesse viés, tem-se como principais entraves à democratização das salas cinematográficas no Brasil o alto custo dos cinemas, bem como a desigualdade da distribuição espacial das salas de cinema ao longo do território nacional.
É importante pontuar, de início, que, mesmo após trinta e quatro anos da criação do Ministério da Cultura, o país ainda vive um ‘‘apartheid cultural’’ em relação ao acesso aos cinemas no Brasil. Isso se deve, sobretudo, ao alto custo cobrado pela visualização dos filmes em exibição. Esse fato se mostra como consequência da Indústria Cultural, conceito proposto por Theodor Adorno, pela qual as produções culturais têm sido mercantilizadas, isto é, feitas com o propósito de obtenção de lucros. Nesse contexto, as produções cinematográficas que chegam aos cinemas brasileiros são oriundas de uma estratégia mercantilista, que visa encarecer tais produções a fim de gerar maior rentabilidade. Assim, torna-se mais oneroso aos cinemas a aquisição desses filmes para exibição e, consequentemente, também de maior custo aos telespectadores, o que faz com que o acesso aos cinemas se torne uma atividade cada vez menos comum à parcela economicamente menos favorecida da brasileira.
Outrossim, a má distribuição de espaços cinematográficos ao longos das malhas urbanas é outro entrave à democratização do acesso aos cinemas no Brasil. Isso decorre do fato de que, em geral, nas grandes cidades, as salas de cinema concentram-se nas regiões centrais, onde o fluxo de atividades e serviços é mais intenso, o que faz com que moradores de áreas periféricas tenham seu acesso às produções cinematográficas restrito, já que o deslocamento até os locais de concentração de cinemas implica gastos com transportes e longo tempo de locomoção. É desse modo, portanto, que o alto custo dos cinemas brasileiros, bem como a concentração desses em regiões centrais dos municípios brasileiros tem dificultado a democratização do acesso aos cinemas no Brasil.
Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de garantir que todos os brasileiros possam contemplar os cinemas no país. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de parceria público-privada, oferecer descontos fiscais aos proprietários de cinemas no país, por meio de descontos em impostos, a fim de que esses, além de reduzirem os valores cobrados pelo acesso aos filmes, invistam na abertura de cinemas em regiões periféricas, se tornando acessível à toda a população. Desse modo, será possivel extinguir o ‘‘apartheid cinematográfico’’ existente no Brasil.