Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 22/11/2019

Em “A Républica”, obra escrita há mais de 25 séculos, o lendário filósofo Platão já havia identificado o papel fundamental do ensino e do conhecimento na busca pela excelência humana. Com finco nessa mesma conclusão, o programa de Educação para Jovens e Adultos (EJA) foi criado para ajudar indivíduos que não completaram o ensino médio ou fundamental a fazê-lo com ajuda de condições adaptados, seja tempo reduzido ou horários de aula noturnos. Ocorre, todavia, que em razão da baixa lucratividade e do estigma social carregado, as oportunidades para usufruir dessa iniciativa tem se tornado cada vez mais restritas.

Um dos motivos por trás da diminuição do número de vagas da modalidade EJA, as quais, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep),  diminuíram na proporção de mais de 25% nos últimos 10 anos, é a baixa lucratividade.  O programa EJA tem como principais usuários indivíduos de classes econômicas menos favorecidas, que dispõem somente de horas noturnas para frequentar as aulas. O custo elevado do serviço noturno dos professores, combinado à reduzida disponibilidade financeira da maioria dos estudantes, faz com que os alunos dependam da iniciativa pública, que, embora não tenha a rentabilidade como objetivo, padece de notória escassez de recursos, para a sua abertura de vagas,, o que torna a proporção do serviço muito aquém do necessário.

De outra sorte, observa-se que mesmo quando capaz de participar e concluir o ensino escolar, o formando pela modalidade EJA descobre-se alvo de um estigma social ao tentar ingressar no mercado de trabalho. O preconceito contra esses graduados traduz-se em dificuldade para obter uma contratação ou ter acesso a cargos mais elevados, o que, por sua vez, acaba por desincentivar aqueles que vêem na educação escolar uma oportunidade de ascender a melhores condições de vida.

Felizmente, existe uma solução que, sozinha, é capaz de combater simultaneamente ambas as questões apontadas acima. Conjugando interesses públicos e privados, o desenvolvimento de um programa que estabeleça incentivos financeiros (descontos, aportes etc) para as empresas cujos funcionários estejam cursando, ou tenham cursado, a modalidade EJA, garantirá o interesse da iniciativa privada em investir recursos e espaço para que seus funcionários obtenham formação escolar e para os que a obtiveram por esse meio, ao mesmo tempo que proporcioná melhores condições de empregabilidade. O solução pode parecer simples, mas depende de nós, cidadãos, exigir e encorajar a promoção de diálogos produtivos, desta natureza, entre o poder público e a iniciativa privada.