Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 09/06/2020
A obra “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, apresenta um antigo regime familiar rural no qual pais criavam os filhos para contribuírem com a renda familiar, por conta das necessidades e desigualdades sociais. Assim como no livro, uma parcela significativa de brasileiros de baixa renda se vê na obrigação de estabelecer prioridades em prol do sustento do núcleo familiar. Dessa forma, o EJA mostra-se como uma alternativa à curto prazo para indivíduos que optaram pela evasão escolar, dando uma nova oportunidade de ascensão social e formação educacional, além de enaltecer suas autoestimas intelectuais. Apesar da alternativa, nota-se um alcance menor do projeto pelo fato da ausência de auxílios monetários à população em conjunto com os meios precários de incentivo à continuação dos estudos. Logo, é de responsabilidade do Estado e da Mídia, aliados a agentes educativos, promoverem a melhora do alcance da plataforma.
O programa é de suma importância para a formação de bases educacionais de diversos brasileiros, já que permite jovens e adultos darem continuidade a seus estudos interrompidos e adentrarem em uma faculdade. Logo, a modalidade de ensino promove uma melhora da economia local e da qualidade de vida do indivíduo, por meio da abertura de oportunidades para a ascensão social. Contudo, uma grande parcela do público alvo não consegue usufruir de tais benefícios por ter que prover o sustento da família e não ter uma garantia monetária para poder estudar e assegurar o futuro profissional de seus filhos.
Ademais, o EJA contribui com a valorização da autoestima intelectual do indivíduo, fazendo-o ver futuro em finalizar sua formação educacional, aumentando sua probabilidade de ascensão social. Entretanto, como exemplificado na obra “A hora da estrela”, em que a protagonista Macabéa, uma jovem nordestina que não teve acesso a uma educação de qualidade, sofre as consequências em sua vida profissional e na sua saúde psicológica, a ausência de incentivo por parte dos pais na infância e de educação de qualidade reforça um comportamento psicológico que reflete na autoestima intelectual do indivíduo ao culpabilizar a sua situação atual e sustentar o discurso de que continuar os estudos seja fora de hora ou tarde demais.
Em síntese, a fim de preservar e melhorar a eficácia da aplicação do EJA, o Ministério do Desenvolvimento Social, em parceria do Ministério da Educação, deve apoiar os núcleos familiares, oferecendo subsídios governamentais por meio da criação de programas de auxílios estudantis, a fim de oferecer uma garantia e estabilidade durante o período de formação do indivíduo. Assim como a mídia tradicional e virtual devem, por meio de propagandas, divulgar plataformas e incentivos para a aceitação da formação tardia, desmitificando visões nocivas devidas a pensamentos de incapacidade. Dessa forma, além de promover um bem estar social, histórias como a de Macabéa terão suas verossimilhanças sociais reduzidas.