Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 01/03/2020
A histórica segregação educacional brasileira, na qual, somente pessoas com maior poder aquisitivo tinham acesso à educação, deixou consequências que perduram até a atualidade, como a grande quantidade de indivíduos que não frequentaram a escola na idade apropriada. Nesse contexto, a modalidade de ensino EJA (Educação para Jovens e Adultos) foi criada, amparada por lei, para sanar a dívida do Estado perante essa parcela da sociedade. No entanto, desafios como a garantia da permanência desse aluno e falhas na infraestrutura e formação direcionada dos docentes dificultam com que esse programa funcione com êxito.
O documentário “Fora de Série”, produzido pelo Observatório Jovem do Rio de Janeiro, retrata a realidade de 13 jovens que não estudaram no ensino regular e hoje estão concluindo os estudos pela Educação de Jovens e Adultos. Entre os motivos para evasão escolar desses indivíduos demonstrado na longa metragem, a falta de estrutura e de professores qualificados contribuíram para a tomada dessa decisão. Nesse sentido, para garantia que esses jovens que não tiveram uma boa experiência permaneçam e conclua seus estudos, é fundamental haver estrutura física de qualidade com aparo de professores qualificados.
Outrossim, o público da modalidade de ensino EJA é de grande diversidade cultural, social e também, de faixa etária. Nesse contexto, para promover uma educação de qualidade que abrange toda essa heterogeneidade, a troca de informações e formação diferenciada para professores desse público é essencial. De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, para ser um ato de conhecimento, o ensino de jovens e adultos demanda, entre educadores e educando, uma relação de autêntico diálogo.
Sendo assim, para promover a integração de jovens e adultos que deixaram a escola e a permanência no sistema educacional brasileiro, é preciso que o ministro da educação, Abraham Weintraub, em parceria com as Secretarias de Educação e a Iniciativa Privada, crie políticas públicas de formação especializada para professores dessa modalidade, com palestras de incentivo ao diálogo e a criação de dinâmicas inclusivas. Ademais, esses órgãos deve investir na infraestrutura escolar e valorizar o professor, através de bonificações, haja vista que, como demonstrado no documentário, este tem papel fundamental na permanência do aluno para a conclusão dos seus estudos.