Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 19/03/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, é direito dos brasileiros o acesso à educação. Para auxiliar jovens e adultos que não concluíram a educação básica durante os anos recomendados, devido à situações diversas - necessidade de trabalhar, a gravidez precoce, falta de escolas nas proximidades, dentre outras -, a partir de 1940, foi criado o EJA (Educação de Jovens e Adultos), com o objetivo de oferecer a eles o ensino fundamental. Hoje, apesar das oportunidades, essa parcela da população ainda enfrenta dificuldades para concluírem seus estudos, em decorrência da falta de tempo e de autoconfiança. Junto a isso, existe o fato de que tem diminuído o número de escolas que oferecem a modalidade, o que torna necessária a discussão sobre a importância e sobre como aumentar a oferta e a procura da educação nesse caso.

Em primeiro lugar, é válido analisar os empasses enfrentados pela maioria dos indivíduos que se encaixam no perfil de alunos do EJA: vergonha por não ter concluído os estudos; medo de não ser capaz de aprender depois dos anos sem frequentar a escola; falta de tempo por ter que trabalhar e/ou lidar com tarefas domésticas. Tudo isso cria um cenário de obstáculos e faz com que haja um alto percentual de evasão escolar por parte dessas pessoas, como explicado no livro “Diálogos na Educação de Jovens e Adultos”, baseado na pesquisa realizada por membros da UFMG.

Além disso, mesmo aqueles que superam as barreiras que surgem durante os estudos, atualmente, tem lidado com o problema da falta de oportunidade. De acordo com dados publicados pelo INEP, aproximadamente um terço das escolas deixaram de conceder aulas aos alunos do EJA. Essa queda se deu como consequência da evasão e da baixa procura, e como reflexo dos poucos recursos, que não chegam a 1% da verba disponibilizada para a educação, segundo estatísticas apresentadas pela Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que considera pouco importante o investimento na escolarização dessas pessoas, em comparação com a das crianças. Assim, torna-se cada vez mais difícil e menos motivadora o retorno aos estudos por parte daqueles que um dia já abandonaram as escolas por falta de oportunidades.

Dessa maneira, tendo em vista que a educação é um direito constitucional, visando garantir a prática efetiva da lei, é dever do Ministério da Educação incentivar a permanência dos alunos, por meio de aulas mais atrativas, que insiram o conteúdo na realidade e  facilitem aprendizado, e de professores que trabalhem a confiança da classe, mostrando que não há idade nem momento certo para aprender. Em paralelo, na busca do mesmo objetivo, o Governo deve melhorar a infraestrutura e a oferta de vagas, por meio da concessão de verbas proporcionais às necessidades dos alunos e das instituições.