Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 23/03/2020

A obra “A educação e a crise brasileira” reúne ensaios de Anísio Teixeira, importante intelectual e educador brasileiro, que abordam a crise educacional no Brasil com base nas relações entre a estrutura de ensino e o impacto da estratificação social sobre às oportunidades educacionais. Nesse contexto, uma proposta pedagógica defasada associada a uma estrutura social fragilizada representam um dos maiores desafios do ensino na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos). Assim, questões como a reestruturação curricular e assistencialismo precisam ser discutidos a fim de melhorar os índices educacionais desse grupo populacional.

A princípio, a obra faz alusão a John Dewey, filósofo e pedagogista americano precursor do pragmatismo na educação, que defende a validade e o desempenho da educação determinados pelo êxito prático, ou seja, é importante que a grade curricular contemple as necessidade particulares do aluno; por exemplo: um pequeno comerciante dará mais sentido ao que foi aprendido quando for possível a aplicação do conhecimento na prática, como no ensino de matemática financeira, uma vez que é mais fácil para ele aplicar o conhecimento no cotidiano. Por esse motivo, estrutura pedagógica precisa estar de acordo com as particulares perfil de aluno do EJA.

Outrossim, sob a perspectiva do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o acesso à educação é uma legítima representação que evidencia as desigualdades existentes entre as classes socais. Isso significa que, apesar da Educação ser um direito inalienável, fatores socioeconômicos dificultam o acesso ao ensino. Por exemplo, de acordo com o último censo do IBGE, aproximadamente um terço de jovens e adultos matriculados não concluíram os estudos por conta do ingresso precoce no mercado de trabalho. Isso por conta de fatores como gravidez não planejada ou falta de recursos financeiros.

Portanto, é importante que o Ministério da Educação, por meio da inclusão de questionários  no censo da educação básica, identifique as necessidades práticas dos alunos matriculados na EJA para que as Secretarias de Educação possam melhorar as estratégias de ensino, como a prática em sala de aula de assuntos do quotidiano, tornando a aula mais atrativa e utilitária ao estudantes. Ademais, o governo precisa garantir o contínuo investimento em assistencialismo social por meio da criação de parcerias público-privadas, construindo, por exemplo, espaços para a EJA dentro das empresas, com salas de acolhimento para filhos de funcionários, que tenham interesse em qualificar a mão de obra em horário não comercial. Assim, essas ações poderão aumentar o número de matriculados, reduzir a evasão e dar mais assertividade à proposta de ensino, que são os principais desafios na educação desse público, diminuindo a crise educacional explanada outrora por Anísio Teixeira.