Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 09/07/2020

No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é mostrado a vida da família de Fabiano, pessoas do interior do sertão nordestino que nunca tiveram a oportunidade de adentrar a educação formal. Essa ficção dialoga com vários pontos da realidade, inclusive o da falta de inclusão na educação do Brasil, que tem sido combatida,por exemplo, com o advento do EJA(Educação de Jovens e Adultos), que proporciona uma oportunidade para que pessoas fora da idade escolar consigam se formar no ensino fundamental e médio. Porém, esse sistema está diante de diversos desafios, como a falta de apoio do Estado e a visão do projeto como um modelo compensatório, sendo necessário discutir essa conjuntura.

A princípio, é visto que há dificuldades de implantação do EJA devido a falta de colaboração do Governo, fato que barra a formação educacional de vários brasileiros. Essa realidade é apontada em dados do site G1, o qual mostra que houve a diminuição de escolas que possuem EJA em cerca de 35%. Tal panorama é preocupante, pois, essa modalidade de ensino é assegurada pela Lei de Diretrizes e Base , sendo que a não implantação desse sistema vai de encontro ao Contrato Social instituído  na Constituição Federal Brasileira, o que fere o direito de todos os cidadãos. Além disso, existe a falta de investimentos na educação em geral,como visto na Emenda Constitucional 95, que diminuiu o teto de investimentos na educação por 20 anos, fato que impede a eficácia do EJA no Brasil.

Outrossim, é importante notar que a Educação de Jovens e Adultos é tratada como um modelo compensatório no país , o que impede a formação ampla dos alunos. Tal quadro é problemático, pois conforme o site Escola e Educação, o tempo médio para completar o EJA é em média 18 meses, o que mostra como o conteúdo programático é reduzido em relação à educação normal. Esse contexto dificulta a entrada do estudante no mercado de trabalho e faculdade , visto que esses são cada vez mais exigentes, o que mostra como o EJA não é 100% assertivo em sua função de dar independência ao indivíduo . Essa situação vai no sentido contrário á visão do professor Paulo Freire, que via o ensino como um modo de emancipação do Homem em um meio injusto, sendo urgente melhorar esse sistema.

Portanto, para que o Brasil evite que a situação educacional de mais pessoas se assemelhe ao dos personagens do livro “Vidas Secas”, é fundamental que o EJA seja eficaz e abrangente. Para isso, cabe ao Governo Federal aumentar o número de colégios que ofereçam a Educação de Jovens e Adultos, por meio do aumento no investimento em Educação, por exemplo na formação de professores e infraestrutura para área, a fim de possibilitar um ensino eficaz para os estudantes. Ademais, é papel da população cobrar do Estado a eficácia do Sistema Educacional, para possibilitar um país justo,